Charmosinha, pintada nas cores branca e vermelha, a Meia Ponte de Pirenópolis desperta a nostalgia e a curiosidade de quem a atravessa ou passa por perto. Mesmo em dias de grande movimento, quando um carro precisa esperar o que vem do outro lado para poder seguir, não há estresse aparente porque o interessante é esse procedimento. Essa rotina faz com que as pessoas interajam com os costumes da cidade, nessa espera um pouco estranha.

É uma travessia simbólica. Vir à Pirenópolis e não atravessar a Meia Ponte a pé ou de carro gera o sentimento de estar faltando alguma coisa. É quase como ter feito o turismo pela metade.  Mas por que isso acontece? Por que até hoje a Prefeitura não a reconstruiu? Aí é que está! Ela foi tombada. Tombada duas vezes. Quando uma enchente no Rio das Almas levou parte da ponte e quando o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), em 1988, a transformou em Patrimônio Histórico da Humanidade.  

Mas, para explicar um fragmento dessa romântica história, é preciso voltar um pouco no tempo. Só 293 anos, quando Pirenópolis era apenas um arraial fundado por garimpeiros que chegaram à região, em 1727, em busca de novas jazidas de ouro e diamante. A ponte foi construía um ano depois, pelas mãos dos escravos que trabalhavam no garimpo. Dizem que, tempos depois, uma grande enchente no Rio das Almas levou metade da ponte, o que fez com que a cidade fosse batizada pelo Minerador Português, Manoel Rodrigues Tomáz com o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte.

Até o primeiro jornal do estado de Goiás nasceu, e foi batizado com o nome inspirado na Meia Ponte: o Matutino Meiapontense. Pois então, esse nome do arraial perdurou até 1890, quando a cidade recebeu o nome atual — mas esse era escrito à época com a letra “Y” (Pyrenópolis). Uma forma arcaica da linguagem. O tempo passou de novo e o nome se modernizou. Com isso, a Cidade dos Pireneus passou a se chamar Pirenópolis, que prevalece até hoje. Mas Pirenópolis era chamada pelo povo de vários nomes populares. Entre eles: “Capital da Praia’, “Berço da Imprensa Goiana” e até de “Paris-nópolis”, entre outros.

Contada essa história fica mais fácil entender porque a reconstrução da ponte não está nos planos da comunidade e muito menos da Prefeitura. Arrumar confusão pra quê?! A Meia Ponte é, realmente, um cartão postal e ainda conta com uma praiazinha charmosa e bastante frequentada pelos banhistas. Se você ainda não conhece a Meia Ponte, vale a oportunidade. Fiquem com Deus!

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