A Festa do Morro ou Romaria dos Pireneus ocorre em Pirenópolis desde 1927, sempre no final de semana da lua cheia de julho. Este ano, o período oficial de celebração será entre os dias 14 (na quinta-feira) e 17 de julho (no domingo).

A romaria foi idealizada pelo comendador Cristóvão José de Oliveira, homem conhecido por sua grande religiosidade, espírito de humanidade e seu incansável filantropismo em prol da fé católica. Sua história de dedicação à igreja lhe rendeu a Comenda São Gregório, concedida pelo próprio Papa Pio XII.

A tradição veio também do hábito que as famílias de Pirenópolis e de outras cidades próximas tinham de visitar e acampar na Serra dos Pireneus, tida como um divisor natural das Bacias Hidrográficas Platina e Amazônica. A primeira missa na Serra dos Pireneus foi celebrada em 19 de julho de 1927, pelo padre Santiago Uchôa, a uma altitude de 1.390 metros. Poucos anos depois, Cristóvão José de Oliveira ergueu naquele mesmo local uma pequena capela em homenagem ao Divino Pai Eterno, existente até hoje. Mais tarde, uma outra capela foi construída, mas dessa vez ao pé do morro.
“Ele [Cristovão] relacionou os três picos que existem no morro às três pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo”, explica a empresária Oona Yasmina de Oliveira Gomes, neta do comendador e festeira responsável pela organização da celebração este ano.

Procissão

A festeira conta que a Festa à Santíssima Trindade começa na tarde de quinta-feira, com uma procissão de mais de 30 quilômetros, que sai da Igreja do Bonfim em Pirenópolis, no Centro Histórico, até a Serra dos Pireneus. No segundo dia as famílias vão chegando ao morro e montando acampamento. Já no sábado, levanta-se o mastro, uma grande fogueira é acessa, há uma enorme confraternização e a missa é celebrada na capela do alto do morro. Nessa ocasião a alimentação fica a cargo dos chamados mordomos, que levam os itens do chá com biscoitos. No domingo de manhã outra missa é realizada, dessa vez na capela de Nossa Senhora d’Abadia, que fica aos pés da Serra.
“Oficialmente a festa dura quatro dias. Mas os romeiros sempre vêm uns três dias antes, pois o acampamento é difícil de ser organizado devido as condições do local”, esclarece Oona Yasmina. De acordo com a festeira, entre organizadores, romeiros e turistas a estimativa é de que a romaria reúna mais de 300 pessoas, durante seus quatro dias de celebração.

Cenário único

Para Oona, o grande diferencial da Festa em relação a outras, também dedicadas à Santíssima Trindade, é a beleza do lugar. “Toda celebração e o encontro das famílias acontecem em meio à natureza, nesse cenário único que é a Serra dos Pireneus, hoje inserida numa unidade de conservação estadual (o Parque Estadual dos Pireneus).”
Segundo ela, ser a festeira da romaria, apesar do enorme trabalho, é motivo de muita alegria, fé e respeito a uma tradição quase centenária. “Para mim representa lembranças e valores que me foram passados desde criança. É também um grande orgulho, já que sou neta do fundador dessa festa tão bonita”, afirma.

Para fortalecer e manter viva essa tradição, Oona explica que em 2015 foi criada a Associação dos Romeiros, que além de ajudar na busca de recursos e patrocínios, é responsável pela aprovação do nome do festeiro para o ano seguinte. A celebração conta também com os apoios da Prefeitura de Pirenópolis, do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e da coordenação do Parque. “Há também os patrocínios de empresas locais e outras associações, para que tudo saia a contento”, frisa Oona.

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