Foto de Edmar Wellington

Atração turística de Pirenópolis fundada no século XVIII recebeu cerca de 10 mil pessoas em 2018. Espaço busca resgate histórico e cultural sobre período colonial goiano

Com mais de dois séculos de tradição guardados em uma edificação feita com paredes de adobe e pau a pique, telhas-coxa sustentadas por esteios e vigas de madeiras, a Fazenda Babilônia é uma das paradas obrigatórias para aqueles que visitam a charmosa cidade de Pirenópolis. Mais do que preservar parte da história de Goiás, a propriedade rural datada do século XVIII recebe visitantes de todas as partes do mundo, que também são atraídos por uma rica gastronomia com cerca 40 pratos variados feitos com produtos da própria fazenda durante os finais de semana e feriados.

Toda essa riqueza é cuidadosamente protegida por dona Telma Machado, de 69 anos, proprietária da área rural. Nascida em Anápolis, ela conta que passou a maior parte de sua infância e juventude em Pirenópolis, onde morou até 1969. Depois estudou no tradicionalíssimo Colégio Liceu de Goiânia, e de lá ingressou no curso de Psicologia, formação que acabou deixando após 2 anos e meio, para se dedicar a carreira pública e ao casamento com fazendeiro Antônio Roberto Machado, de 68 anos, que também sempre contribui para manter a tradição da Fazenda Babilônia.

Mas, diferente do casamento, felizmente, a trajetória no serviço público durou pouco e com a morte do pai, que ocorreu mais ou menos na mesma época, Telma decidiu no ano de 1980 retornar à fazenda que fez parte de sua infância. Mas a decisão de tornar a propriedade num negócio turístico veio só em 1997, mas mesmo antes disso, a fazenda já era um ponto de visitação conhecido em Pirenópolis, e com o crescimento do turismo na cidade, Telma decidiu adaptar o espaço para receber turistas. “Fui empurrada para fazer turismo na cidade. Descobri que estavam fazendo pacotes de turismo para a casa, mas eu não recebia nada por isso. Foi quando me organizei e comecei a cobrar algumas taxas de visitação”, conta.

A partir daí, para atrair mais visitantes, Telma começou a fazer divulgações nas escolas da cidade sobre a fazenda e a história que o espaço guarda. “Passamos a mostrar a nossa missão de fazer um resgate histórico e antropológico de nossa cultura. A cidade já tinha seu charme e atraia as pessoas. A fazenda foi só um atrativo a mais”, explica.

Além da atividade turística, o local mantém as atividades típicas de uma propriedade Rural. Conforme Telma, 60% da fazenda ainda é destinada à agricultura, como o plantio de arroz, feijão e milho, além da pecuária de corte. E é daí que sai grande parte dos ingredientes para o preparo do famoso Café Sertanejo, que acabou se tornando outra atração turística da cidade. São mais de 40 receitas tradicionais da cozinha goiana que lembram os fartos e antigos cafés coloniais.

História

Antes de ser conhecida como Fazenda Babilônia, a propriedade era chamada de Engenho São Joaquim, nome dado por seu primeiro proprietário o comendador Joaquim Alves de Oliveira, em 1795, que apostou na plantação de cana de açúcar, mandioca e algodão, grande parte exportada para a Inglaterra, principal potência econômica da época. Joaquim Alves faleceu em 1851 e deixou a fazenda para o genro, o sargento-mor Joaquim da Costa Teixeira.

Em 1864, o padre Simeão Estelita Lopes Zedes, bisavô de Telma, acabou adquirindo a propriedade e mudando o nome para Fazenda Babilônia. Durante o final do século XIX e início do XX, a principal atividade desenvolvida na propriedade foi a produção de gado de corte. Atualmente, a Fazenda Babilônia é tombada como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e inscrita no Livro de Belas Artes por conservar um casarão em estilo colonial com muros de pedras construídos pelos escravos.

Dona Telma admite que já pensou em mudar alguns aspectos da casa, mas a consciência e o compromisso com a história a demoveu da ideia. “Morar nesta fazenda é um privilégio e ao mesmo tempo uma responsabilidade. Eu jamais deixaria a casa perder seu aspecto original, conservado há 220 anos”, afirma.

Visitantes

Só em 2018, segundo informa Telma, a Fazenda Babilônia recebeu cerca de 10 mil visitantes, entre eles turistas provenientes de diferentes partes do Brasil e do mundo. “São pessoas do Rio Grande do Sul até o norte e nordeste do País. De vez em quando aparecem pessoas de embaixadas e muita gente da China, Coreia do Sul, Alemanha, França. É uma pena que ainda não venham tantos da América Latina”, revela a proprietária, que ainda destaca que já recebeu grandes proprietários, como o arquiteto e urbanista responsável pelo projeto do Plano Piloto de Brasília, Lúcio Costa.

Para visitar a fazenda, dona Telma explica que tem um sistema rigoroso de agendamento. “O meu principal objetivo não é lotar ou colocar uma catraca na entrada da fazenda. Quero que o visitante tenha uma experiência única, que volte na história”, explica. Os interessados devem entrar em visitar contato antes por e-mail (contato@fazendababilonia.com.br) ou por telefone (62) 99294-1805 ou (62) 99291-1511.

 


 

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