Quem passar na manhã desta quinta-feira (26) pela Rua Direita, no centro histórico de Pirenópolis, com certeza verá um um colorido especial, símbolo da fé e religiosidade do povo pirenopolino. O preparo dos tapetes feitos de serragem e areia coloridas para a procissão de Corpus Christi é uma tradição que quase chegou a se perder na cidade, como explica Eduardo Tadeu do Nascimento, sacristão e curador-mor do museu da Matriz Nossa Senhora do Rosário.

“Esse hábito de fazer os tapetes para receber a procissão de Corpus Christi foi resgatado no final dos anos 60 graças ao empenho e dedicação da professora e artista plástica Natália de Siqueira. Ela, que era uma pintora de mão cheia, mobilizou todos os moradores da Rua Direita e várias famílias da cidade, como os Curado, Pina e Jaime”, lembra Eduardo Tadeu, que hoje é um dos responsáveis em manter viva essa tradição católica na cidade.

O sacristão explica que a Rua Direita, que dá acesso à Igreja da Matriz, é ornamentada em toda sua extensão com serragem, areia e flores. Segundo ele, o trabalho que mobiliza mais de 100 pessoas, começa por volta das 16 horas da véspera de Corpus Christi e segue até uma da madrugada. “É um momento muito bonito. Muita gente se envolve. Para nós católicos é um dia muito importante, pois é a ocasião que simboliza a ida de Jesus às ruas para abençoar seu povo”, afirma Eduardo.

No chão, a combinação de cores e contornos retratam símbolos religiosos como a Eucarística, o Divino Espírito Santo, a Cruz, a Hóstia Sagrada e outras imagens. “Sobre esse tapete, somente o padre caminha, levando o Santíssimo. Os fiéis seguem em duas filas pelas laterais, recebendo a benção e cantando”, conta o organizador da celebração.

Segundo Eduardo, são montados ao longo do trajeto quatro altares, onde o padre interrompe a caminhada para conceder as bençãos. A celebração litúrgica também conta com a participação do coral Nossa Senhora Rosário, que interpreta o Canto Ergo, numa versão composta por Eugênio de Campos Leal, em 1853.

Por Anderson Costa

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