Peça teatral encenada desde a década de 1920 ainda atrai turistas e moradores de Pirenópolis apresentando a história do nascimento de Jesus Cristo

Encenado pela primeira vez em Pirenópolis no ano de 1922, o espetáculo “As Pastorinhas” há tempos faz parte da cultura da cidade e por quase um século encanta seu moradores e visitantes. A peça teatral, uma opereta mais precisamente, também integra as celebrações da Festa do Divino Espírito Santo, que ocorre entre os meses de maio e junho. Neste ano, a apresentação ocorrerá nos dias 7 e 8 de junho, logo após as tradicionais novenas, no Cine Pireneus, no Centro Histórico.

O espetáculo dançado e cantado reúne 24 pastoras, interpretadas por jovens de 14 a 16 anos, divididas igualmente em dois grupos, um azul e outro vermelho. A atração conta a história do nascimento de Jesus Cristo, em que as pastoras levam flores ao Deus Menino. Além das pastoras distribuídas em cordões vermelhos e azuis, outras personagens também são interpretadas por mulheres: Fé, Esperança, Caridade, Cigana, Anjo, Diana e a Religião. “Tradicionalmente, as mulheres eram apresentadas com essa idade [entre 14 e 16 anos] para a sociedade. Nessa história, a tradição se manteve até os dias atuais e o espetáculo é feito, em sua maioria, com meninas jovens”, destaca a diretora da opereta, Séfora de Pina. Os homens participam da atração com os personagens Simão (o velho), Benjamin (o menino) e Luzbel (o capeta).

Para a manifestação cultural que ocorre na metade de cada ano, Séfora detalha que o grupo de 34 pastoras treina todo sábado, às 15 horas, desde fevereiro para estar em boa forma durante os dois dias de apresentação. “Quando chega perto da data de apresentação, intensificamos ainda mais o nosso treinamento, fazendo dois encontros por semana”, lembra.

Tradição nordestina

Séfora de Pina já está há cinco anos na direção do espetáculo, mas ela diz que participa da peça teatral desde os oito anos. Influenciada pelo avô e ex-diretor da opereta, Pompeu Christovam de Pina. “Já passei por quase todos os papéis e funções da peça”, conta a atual diretora.

As Pastorinhas chegou a Pirenópolis em 1922 com o telegrafista Alonso Machado, que trouxe do Nordeste a tradição. Chamada naquela época de Pastoril, a atração tem origem na cultura portuguesa e foi introduzida no Brasil pelos jesuítas no século XVI. Como ocorreu em outras regiões do País, em Pirenópolis a peça teatral sofreu adaptações, como a inclusão das personagens Fé, Esperança e Caridade, representadas por meninas com menos de dez anos e inseridas pelo maestro Propício de Pina, em 1923. “Desde quando foi apresentada pela primeira vez, a peça sofreu algumas alterações, como a invenção de danças. Porém, a história do nascimento de Cristo foi mantida e as pastorinhas vão colhendo flores para levar até a manjedoura”, explica.

Durante a peça, as pastorinhas são guiadas pelo pastor Velho Simão, que recebem a notícia do nascimento de Jesus por meio da pastorinha Mestre e confirmada com a aparição de um anjo. Na viagem para Belém, as pastorinhas são perseguidas pelo Capeta, que tenta seduzir a pastorinha Contra Mestre, que se perde das companheiras e começa a sofrer com as tentações dos prazeres do mundo. Ela somente é salva após a presença do anjo Gabriel. Ao chegar ao local do nascimento, as pastorinhas deixam as flores na manjedoura e se alegram ao verem Jesus.


 

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