Na semana de Corpus Christi, Pirenópolis voltou a se agitar com mais um espetáculo folclórico, a Cavalhadinha

De sexta-feira (27) até  domingo (29), aconteceu a  Cavalhadinha da Vila Matutina, uma versão infantil da encenação da batalha entre Mouros e Cristãos. Em seus três dias de apresentações, o evento chegou a  receber cerca de três mil expectadores, de acordo um dos organizadores da Cavalhadinha da Vila Matutina, o produtor cultural Itamar Gonçalves. O local da apresentação foi o campinho próximo à Praça de Nossa Senhora de Fátima (também conhecida como Praça da Santa).

A apresentação ocorre desde os anos 1960. A encenação infantil da batalha entre mouros e cristãos é feita somente por meninos, com idades de 4 a 12 anos. “Na versão mirim do espetáculo são apenas oito cavaleiros de cada lado, e não 10, como acontece com os adultos”, conta Itamar.  Os atores usam cavalos de pau, mas nem por isso deixam de ter menos beleza e brilho do que as encenas pelos adultos. Cavaleiros e montarias, sejam eles em azul o vermelho, são enfeitados com muito capricho pelos pais dos participantes.

A Cavalhadinha promovida durante a semana de Corpus Christi  é, na verdade, uma recriação infantil dos principais rituais e personagens da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, como o imperador do Divino, reis e rainhas do Reinado de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, as Pastorinhas, a procissão do imperador, congo e contradança, catira feminina, cavaleiros e mascarados. Assim como a Festa do Divino celebrada pelos adultos, a versão mirim dos festejos também começa dias antes da Cavalhadinha, com novenas, alvoradas festivas e missas especiais, tudo voltado para as crianças e feito por elas.

“Além de ser uma festa muito bonita e encantadora, pois é feita toda por crianças, a Cavalhadinha mobiliza centenas de pessoas da comunidade, que realmente se dedicam a fazer um espetáculo belíssimo”, destaca Itamar. A recriação da Festa do Divino pelas crianças conta inclusive com um Imperador, que este ano foi vivido porKayã Bernardo Vieira, 12 anos, filho de Niniva Alexandra Bernado e de Juliano de Paula Vieira.

A abertura oficial da Cavalhadinha da Vila Manutina ocorreu na noite de Corpus Christi com o cortejo do Imperadorzinho e dos Reis e Rainhas de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, até a Praça da Santa, onde foi realizada a cerimônia de levantamento dos mastros com as bandeiras dos santos do Reinado, seguida da queima da fogueira.

Tal como na Festa original, os preparativos da Cavalhadinha se iniciaram com cerca de um ano de antecedência, a partir do último dia dos festejos, quando são sorteados os nomes do imperadorzinho e dos reis e rainhas-mirins do Reinado do ano seguinte.

Primeiras cavalhadinhas

De acordo com um estudo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a tradição da Cavalhadinha de Pirenópolis tem origem nas brincadeiras de crianças, que até hoje têm o hábito de reviver a encenação feita pelos adultos.

Mas foi a partir da década de 1960 – por iniciativa das próprias crianças e sob a coordenação do ex-cavaleiro João Luiz Pompeu de Pina – que a Cavalhadinha da Vila Matutina deixou de ser apenas uma brincadeira e começou a crescer, tomando ares de “festa grande”. No ano de 1989, as celebrações infantis passaram a incorporar oficialmente a programação da Festa do Divino.

Mais do que uma festa que mobiliza a cidade e atrai turistas, a Cavalhadinha e outras versões infantis de manifestações folclóricas que integram a Festa do Divino são tidas como um importante instrumento de transmissão das tradições locais às novas gerações.

Cavalhadinha do Centro

Além da Cavalhadinha da Vila Matutina, desde 1996 também acontece a Cavalhada Mirim do Centro, que é um resumo da encenação original, apresentado em dois dias. Foi idealizada por Eduardo Tadeu do Nascimento que, além de ser o coordenador e fundador da Cavalhada Mirim, também preside a Associação da Cavalhada Mirim do Centro. O evento acontece sempre na semana de encerramento da Festa do Divino, sendo realizado graças à colaboração dos pais das crianças participantes, o apoio da prefeitura, da igreja e a participação de diversas pessoas da comunidade. O palco do espetáculo é na Arena Municipal Multiuso São Francisco.

Por Anderson Costa

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