Representação da guerra entre Cristãos e Mouros do século XIII movimenta a cidade entre os dias 9 e 11 de junho. Programação paralela também promete atrair visitante

De um lado os 12 cavaleiros cristãos vestidos de azul e com suas armaduras e lanças reluzentes; do outro os 12 oponentes do exército mouro com suas vestes vermelhas e igualmente brilhantes. Os 24 soldados e seus cavalos se encontram no Cavalhódromo. Com Cavaleiros e montarias caprichosamente ornamentados, a encenação da célebre batalha do século XIII se inicia e dura três dias. As Cavalhadas de Pirenópolis estão entre os espetáculos folclóricos mais expressivos do Brasil e são remontadas desde 1820, e ainda hoje encantam moradores e visitantes da cidade histórica goiana que fica a 130 quilômetros de Goiânia e 150 de Brasília.

Trazida de Portugal pelos padres Jesuítas, a encenação é o ponto alto da Festa ao Divino Espírito Santo e nos próximos dias 9, 10 e 11 de junho volta a mobilizar o município, tal como ocorre há quase 200 anos. As apresentações ocorrerão no no Cavalhódromo de Pirenópolis, a partir das 13h30.

De acordo com o imperador ou festeiro do Divino este ano, o comerciante Celmo Sousa, cerca de 24 mil pessoas devem acompanhar as Cavalhadas durante os três dias de espetáculo. “Estamos trabalhando há muito tempo para que tudo seja perfeito e que os visitantes possam aproveitar ao máximo cada segundo da encenação. Para isso, não estamos deixando passar nenhum detalhe”, afirma o comerciante que é imperador da Festa do Divino pela primeira vez.

Encenação
As Cavalhadas de Pirenópolis estão entre as mais famosas do Brasil e são, desde 2010, consideradas patrimônio cultural imaterial do País, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O espetáculo teatral é realizado a céu aberto e remonta aos confrontos ocorridos durante a dinastia Carolíngia na Idade Média. No primeiro dia, os Mouros, vestidos com trajes vermelhos, acessam ao campo das cavalhadas pelo lado do Sol nascente. Já os cristãos, com roupas azuis, entram pelo lado oposto do campo. Neste momento, ocorrem as primeiras embaixadas, quando o Embaixador Mouro, à serviço de seu rei, pede ao monarca Cristão para abandonar as leis de Cristo. Diante da negação dos cristãos, surge o conflito e iniciam-se as primeiras carreiras do dia. Após os primeiros embates, o Rei Mouro pede tréguas ao Castelo Cristão por 24 horas.

No segundo dia, encena-se mais uma rotina de carreiras terminando com a prisão dos mouros pelos cristãos. Os derrotados se ajoelham diante dos vencedores e recebem água do Batismo. Os vencidos são abençoados pelos próprios cavaleiros cristãos, que colocam as espadas sobre o ombro de cada soldado moro. Ao final do segundo dia, mouros e cristãos, em fila indiana intercalados, saem pelo lado do castelo Cristão.

No último dia, cavaleiros de azul e vermelho entram em fila indiana guiados pelo Rei Cristão. Após uma volta de apresentação, os grupos voltam a se dividir, indo, respectivamente, para seus castelos. Após uma breve pausa, os grupos voltam para as carreiras. Após a quarta carreira, os cavaleiros participam de um um jogo com o objetivo de retirar argolas penduradas em um travessão no Cavalhódromo. Aquele que conseguir retirar a argola da trave recebe uma prenda como prêmio. Após os jogos, os cavaleiros desfilam pela cidade em direção à Igreja Nosso Senhor do Bonfim, onde agradecem pelos três dias de jornada.

Os mascarados
Na abertura solene das Cavalhadas entram no Cavalhódromo todos os grupos folclóricos que compõe a do Festa do Divino, fazendo cada qual sua apresentação: as Catireiras, Congados, Pastorinhas, Dança de Fitas, Banda de Couros, a Banda de Música Phoenix e os Cavaleiros Mascarados, que são durante os três dias de cavalhadas uma atração à parte.

Conhecidos também como “Curucucús”, por causa do som que emitem, os mascarados são personagens anônimos que se vestem com máscaras, roupas coloridas, luvas e botas. Eles mudam a voz ao falar e cobrem todo o corpo para que ninguém os reconheçam. Enfeitam seus cavalos com fitas, tecidos, plantas e tudo quanto a criatividade mandar. Tradicionalmente, existem vários tipos. Os mais conhecidos são aqueles com máscara de cabeça de boi, seguindo pelos que usam máscaras de onça e máscara de homem.

Já no primeiro dia das Cavalhadas, os mascarados saem às ruas à galope e promovem uma alegre algazarra. Pedem com vozes fanhosas cervejas e cigarros aos transeuntes e divertem a população com suas acrobacias e brincadeiras.

A origem dos mascarados dentro da tradição das cavalhadas é incerta, mas sabe-se que eles representam o papel do povo ou daqueles que não têm acesso a pompa e o prestígio dos cavaleiros. São personagens irônicos e debochados, que fazem críticas aos poderosos e ao sistema. Ao contrário da rigidez dos Cavaleiros, entre os Mascarados não há regras, tudo é permitido, menos mostrar sua identidade.

Atrações paralelas
Se as Cavalhadas animam os foliões durante o dia, a festança também segue durante a noite no Rancho das Cavalhadas, localizado na Avenida Benjamin Constant, no centro de Pirenópolis. A festa no rancho acontecerá entre os dias 7 e 9 de junho, a partir das 22 horas, e os ingressos no valor de R$ 50,00 estão sendo comercializados nas lojas Dolce Multimarcas e Tangará Lanches.

No dia 7, o cantor sertanejo Jefferson Moraes embala o público; já no dia 8, será a vez da dupla sertaneja PH e Michel. No dia seguinte, a animação musical fica por conta da dupla Diego e Victor Hugo. Os DJs Kbeça, Jales Britto e Junior Torres também animarão o público tocando durante os três dias.

 

Confira a programação completa durante as Cavalhadas:

7 de junho
4 horas: alvorada com a Banda de Couro.
12 horas: repique de sinos e descarga de roqueiras.
19 horas: missa e 8º dia de novena em louvor ao Divino Espírito Santo seguida da bênção do Santíssimo Sacramento e tocata com a Banda de Couro ao lado da Igreja Matriz.
21h30: encenação do auto natalino “As Pastorinhas”, no Cine Pireneus.

8 de junho
4 horas: alvorada com a Banda de Couro.
5 horas: alvorada com a Banda Phoenix.
12 horas: repique de sinos e descarga de roqueiras, tocata da Banda Phoenix, ao lado da Igreja Matriz e saída dos Mascarados pelas ruas da cidade.
17 horas: abertura da exposição “Safia, a poesia do barro e a sabedoria do ser”, no Museu do Divino. Exposição será entre os dias 9 e 16 de junho, das 10 horas às 22 horas.
18h30: Procissão com a Bandeira do Divino Espírito Santo, seguida da bênção à Bandeira.
19 horas: últimos dias de novena em louvor ao Divino Espírito Santo, logo após procissão acompanhada pelos irmãos do Santíssimo Sacramento, levantamento do mastro e cortejo com a banda Phoenix em direção à beira-rio, onde ocorre a tradicional queima de fogos de artifícios, roqueiras, girândolas etc.
21 horas: reprise do auto natalino “As Pastorinhas”.

9 de junho
4 horas: alvorada com a Banda de Couro.
5 horas: alvorada com a Banda Phoenix, saindo da casa do Imperador.
8 horas: cortejo imperial: saída do imperador ostentando a Coroa e o Cetro, de sua residência até a Igreja Matriz, juntamente com os familiares. Acompanha o cortejo: virgens (meninas vestidas de branco) e banda Phoenix.
9 horas: missa solene cantada em latim pela orquestra e coral Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis.
10h30: sorteio do novo imperador no consistório da Igreja Matriz.
11 horas: Cortejo levando o imperador até sua residência onde serão distribuídas verônicas e pãezinhos do Divino.
13 horas: abertura das tradicionais Cavalhadas.
18 horas: cortejo conduzindo o imperador de sua residência até a Igreja Matriz acompanhada pela banda Phoenix.
19 horas: bênção e posse do novo imperador.

10 de junho
8 horas: reinado de Nossa Senhora do Rosário: cortejo conduzindo o rei e a rainha até a Igreja do Bonfim acompanhados pela Banda de Couro e o Grupo de Congo.
9 horas: missa na Igreja do Bonfim.
10 horas: cortejo conduzindo os reis de volta às residências.
13 horas: segundo dia de Cavalhadas (batismo dos Mouros).

11 de junho
8 horas: juizado de São Benedito: cortejo conduzindo os juízes de São Benedito até a Igreja do Bonfim acompanhados pela Banda de Couro e o Grupo de Congo.
9 horas: missa cantada com a participação da orquestra e coral Nossa Senhora do Rosário.
10 horas: cortejo conduzindo os juízes de São Benedito até as suas residências.
13 horas: último dia de Cavalhadas (confraternização entre Mouros e Cristãos). Após o espetáculo, os cavaleiros seguem até a porta da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim para oração final de agradecimento e a última salva de tiros.


 

Movido pelo respeito ao meio ambiente e integração a natureza e arquitetura da cidade, o Quinta Santa Bárbara é o PRIMEIRO ECO RESORT de Pirenópolis.

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