Por que existe o Dia Internacional da Mulher? Com certeza não foi para agradá-las. É por causa da trajetória delas. Apesar da opressão que todos sabemos que elas sofreram (e ainda sofrem) muitas se destacaram como exemplo de pessoas guerreiras, solidárias, influentes, impactantes e com o dom de terem atitude na vida. É comovente lembrar que até 1965 as mulheres francesas não tinham o direito de ter conta bancária independente do marido, mas também é constrangedor (e revoltante) para todos verificarmos que, ainda hoje, em alguns países, os direitos das mulheres são restritos.

Segundo o site www.politize.com.br, especializado em assuntos relacionados aos direitos das mulheres, para a Justiça do Irã o testemunho de uma mulher vale metade do que o do homem. Ou seja, duas mulheres precisam testemunhar para que suas palavras tenham o mesmo peso do que as de um único homem. Além disso, o Estado iraniano define que a indenização a ser paga por matar ou machucar uma mulher é a metade do que deve ser pago caso esses danos sejam causados a um homem.

O site informa ainda que no Paquistão, o cálculo dos pesos de um testemunho é o mesmo que no Irã. Essa diferenciação contradiz o que é afirmado na Constituição do país. Mesmo com a norma estipulando que não deve haver qualquer discriminação por conta do gênero, o testemunho de uma mulher vale metade do que o de um homem. Todas essas informações foram apuradas pela geradora de conteúdo e graduada em Relações Internacionais pela universidade de Santa Catarina Pamela Morais, que escreve para o Politize.

 Ainda hoje essas coisas acontecem ao redor do nosso mundo, que é globalizado e conectado pela internet. Por isso que quando as mulheres reagiram e conquistaram tamanha importância ao ponto de terem, no planeta, um dia totalmente dedicado a elas, muitos se surpreenderam com essa força histórica, potencializada pelas injustiças que insistem em perdurar.

 

Em Pirenópolis existem histórias de três mulheres com atitudes que contribuíram, na sua localidade, para o reconhecimento internacional de cada uma: as goianas Chica Machado, Santa Dica e Damiana da Cunha. Verdadeiras guerreiras que influenciaram e impactaram a região goiana por suas atitudes na sociedade. São Elas:

 

Chica Machado

Essa negra foi comprada como escrava por um comerciante português quando tinha apenas 13 anos. Isso ocorreu por volta de 1750 e essa mulher se tornou a mais respeitada e influente do Arraial de Cocal, no norte de Goiás, onde hoje existe uma área rural próxima ao município de Niquelândia. Estas informações constam de uma pesquisa feita por Adélia Machado, que transformou os relatos no livro “Chica Machado Mito Goiano” — um romance sobre a história de Chica Machado. Segundo esses relatos Chica Machado foi uma ex-escrava, obesa, que viveu na região há muitos anos e tornou-se muito rica.

Ela usava a riqueza para comprar e libertar escravos e, por gratidão, eles não iam embora. Ficavam e trabalhavam espontaneamente para ela. A escritora relata ainda que Chica é uma referência de mulher que conseguiu vencer e se tornar uma pessoa influente e poderosa na comunidade em que viveu. Estas informações vocês encontram com mais profundidade no portal G1.

 

Santa Dica

Benedita Cypriano Gomes se destacou pelo leste de Goiás por acreditar que tinha poderes sobrenaturais e por ter utilizado esse talento em prol das pessoas sem obter lucro com isso. Segundo relatos do Jornalista Márcio Venício, diretor do documentário “Santa Dica de Guerra e Fé”, no início do século XX ela ficou conhecida por esse apelido ( Santa Dica) “quando começou a ter desmaios e acreditar que tinha poderes de cura e que essa era sua missão na terra” (informações do G1).

O documentarista explica que, por atrair tantas pessoas e por ter posicionamentos políticos “diferenciados”, Santa Dica se tornou uma pessoa influente. Ficou tão influente que pagou por isso. Foi perseguida pela igreja e pelos coronéis que se sentiam incomodados pelos seus posicionamentos e cobravam que o estado tomasse providencias. Vários seguidores dela foram assassinados e Benedita chegou a ser presa. Quando ganhou a liberdade ela se casou com o jornalista Mário Mendes, enviado do Rio de Janeiro para cobrir o episódio. Em seguida ela se mudou com o jornalista para o litoral e retornou tempos depois para Lagolândia, voltando com os trabalhos de cura.

Atuando, também, politicamente conseguiu eleger o próprio marido e passou a ser procurada por políticos para aconselhamentos. Teve influência na emancipação de Lagolândia, que tempos depois passou a fazer parte do município de Pirenópolis. Dizem que até o então presidente Juscelino Kubitschek se orientava com ela por causa dessa visão comunitária e da influência política. Santa Dica participou da Revolução Constitucionalista como liderança de tropa em 1932. Segundo o Jornalista Márcio Venício “nenhuma mulher fez isso no Brasil”. Ele questiona, ainda, como essa personagem com tanta importância na história do Goiás tem tão pouca visibilidade e é tão pouco conhecida pelo Brasil e pelo Mundo.

 

Damiana da Cunha

Essa mulher foi uma líder indígena da tribo Caiapó Panará no século XVIII, na região onde hoje está instalado o município de Mossâmedes, no centro do Goiás. Ela se destacou por conta das suas atitudes, muitas vezes com resultados negativos, mas reconhecidos pela boa intenção e pela reação imediata às conseqüências. Damiana foi uma indígena adotada pelo governador de Goiás da época, Dom Luiz da Cunha Menezes. A adoção era interpretada como de cunho político, com o intuito de melhorar as relações do governador com os indígenas para conquistar a colonização da tribo. A Caiapó ajudou na catequização e conquista de membros da tribo e atuou como ponte entre as duas culturas. Quando percebeu que seu trabalho estava causando mortes ela reagiu e ajudou seu povo a fugir para escapar do genocídio. Damiana ajudou na mediação dos conflitos entre brancos e índios e foi muito respeitada por ambas as partes. Lutou pela harmonia dos dois lados, uma vez que viveu sobre a dupla influencia cultural. Infelizmente ela acabou contribuindo para o genocídio do próprio povo. Essas informações você consegue ler e se aprofundar procurando pela obra “Guerra no Coração do Cerrado”, da autora Maria José Silveira.

 Aí estão as histórias dessas três gigantes goianas que se destacaram e que merecem reconhecimento, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, como exemplo e fonte de inspiração para o crescimento, respeito e desenvolvimento de todos em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.

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Um Comentário

  1. Interessante saber que existiram mulheres tão importantes próximo a nós, aqui no Goiás! Fiquei emocionada com as histórias de luta e conquista destas mulheres!
    Parabéns pelo reconhecimento e valorização das mesmas pelo dia das mulheres!

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