Creio que, ao ler o título desta matéria, você imaginou algo referente à Religião Católica ou sobre representantes de alguma comunidade, ou família religiosa que fez votos de pobreza, castidade ou similares. Mas a curiosidade que apresentamos aqui é sobre os tocos de Pirenópolis. Sim, tocos! Isso porque eles também são conhecidos como “frades”. Em Pirenópolis, esses frades estão espalhados em vários pontos do Centro Histórico da cidade. O propósito deles é proteger o patrimônio que vinha sendo ameaçado pelo aumento do fluxo de pessoas e de veículos, principalmente os carros de grande porte.

Com a regulamentação do tombamento dos monumentos, que ocorreu por volta de 1989, houve um aumento do fluxo de pessoas na cidade. Os moradores, percebendo a ameaça, logo reclamaram à Promotoria de Justiça sobre os danos aos casarões e postes da região. A solução encontrada pela Prefeitura naquele momento foi a de colocar barreiras rústicas, popularmente conhecidas como tocos.

O Departamento de Serviços Urbanos (DSU), o IPHAN e a Promotoria fizeram um acordo em 2004, assinando um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que obrigou a Prefeitura a colocar as barreiras que impossibilitaram o tráfego de caminhões e ônibus no Centro Histórico. Todos concordaram que placas não seriam eficientes para conter a ameaça do trânsito ao patrimônio e optaram, então, em colocar os frades — ou tocos. Esses objetos têm outra função que vai além de uma simples barreira: foram colocados em pontos estratégicos e servem como delimitadores da poligonal do tombamento do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico de Pirenópolis. Assim, separam a área tombada do espaço do entorno.

Apesar de esses frades terem provocado grande polêmica entre os que os amavam e os que os odiavam, por fim, exercem muito bem a função para que foram criados. Protegem as casas históricas e evitam gastos com reparos na estrutura. É comum, motoristas desavisados reclamarem das barreiras e do tamanho do espaço para a passagem dos carros. Mas acredite, a abertura de 2 metros e 30 centímetros é suficiente para a passagem de veículos de pequeno e médio porte. O problema é que muitos motoristas não possuem a destreza de passar entre os frades. A maioria, quando se deparar com essas barreiras marcadas com raspões provocados por acidentes que acontecem de vez em quando, acabam dando meia volta e preferindo não arriscar. Não se sabe dizer quantos acidentes ocorreram nesses bloqueios, mas pelas ranhuras dá para supor que não foram poucos.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *