Cercada por vários atrativos naturais, como a Serra dos Pireneus, a cidade é procurada todos os anos por milhares de turistas que querem pouco mais de emoção junto à natureza

Além de ser uma cidade que respira arte e cultura, com um cenário histórico belíssimo, composto por igrejas e casarões centenários, Pirenópolis também guarda em seu entorno uma natureza exuberante com lugares perfeitos para os amantes do turismo de aventura e o ecoturismo. Aliás, as riquezas naturais da cidade são o tema de dois programas especiais lançados em setembro pelo canal do You Tube “Tamo Junto”, apresentado pelo modelo, atleta e ex-integrante do Big Brother Brasil, Yuri Fernandes. Em dois vídeos de pouco mais de 12 minutos, ele mostra não só as belezas naturais de Pirenópolis, mas vários esportes ligados à natureza que podem ser praticados na região. Veja nos vídeos ao final da matéria.

Pirenópolis está localizada junto a um dos mais belos cenários naturais do Brasil, a Serra dos Pireneus, que integra o Parque Estadual dos Pireneus. A cidade possui em seus arredores dezenas de cachoeiras, mais de 80 são catalogadas e 30 estão estruturadas para receber visitantes, segundo a Secretaria Municipal de Turismo.

Conforme informações do secretário de Turismo da cidade, Sérgio Rady, não há um levantamento específico da quantidade de pessoas que chegam à cidade a procura da prática do ecoturismo e o do turismo de aventura. Mas ele admite que entre os cerca de 600 mil turistas que visitam Pirenópolis por ano, grande parte vem em busca desse tipo de lazer. “Para se ter uma ideia, temos hoje ao menos 13 empresas na cidade que trabalham especificamente com ecoturismo”, informa o secretário.

Entre essas empresas, está a Pireneus Aventuras de Jefferson Emmanoel Alcantra, que há sete anos é guia e organizador de passeios ecológicos e trilhas esportivas. Ele conta que os meses de alta temporada para o turismo de aventura em Pirenópolis são janeiro e julho. “Nesses meses chegamos a receber entre 50 e 60 pessoas por semana, já nos outros essa média varia entre 20 e 30 pessoas”, informa.

Com dezenas de cachoeiras nos arredores de Pirenópolis, o boia cross está entre as atividades mais procuradas pelos turistas. Crédito: Site Pireneus Aventuras

De acordo com o secretário Sérgio Rady, a grande maioria dos turistas que vem em busca das belezas naturais de Pirenópolis é de Brasília, quase que 60%, depois Goiânia (com cerca de 25%) e em seguida visitantes oriundos do interior de Goiás e estados como Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Ele revela que já está em fase de implantação um sistema de vouchers para controle de visitação. “É um projeto baseado no que já é feito na cidade de Bonito (MS), que também tem um forte apelo para o ecoturismo. O objetivo é proteger esses atrativos naturais e ao mesmo tempo levar mais conforto aos turistas na horas dos passeios”, informa Sérgio Rady.

O local mais procurado pelos turistas que gostam de um pouco mais de adrenalina, segundo o guia e empresário Jefferson Emmanoel , é Serra dos Pireneus, onde está o segundo ponto mais alto do Estado de Goiás, com 1.385 metros de altura. “Essa região é a segunda na América Latina que mais reúne bolders, que são os praticantes do boulder, uma modalidade de escalada em rocha, praticada sem o uso dos equipamentos de segurança como cordas e mosquetões”, explica o guia e empresário.

De acordo com Jefferson, entre as atividades mais procuradas pelos turistas está o rapel, a tirolesa e o boia cross que consiste num refrescante passeio em enormes boias por corredeiras de nível leve a moderados. “Nós oferecemos um passeio com um percurso de 1.200 metros rio abaixo. É uma atividade praticada por pessoas de várias idades”, afirma.

Jefferson lembra que Pirenópolis também é muito procurada para prática do mountain bike e do canyonismo, que consiste em percorrer um rio no sentido da correnteza passando por obstáculos como: cânyons, cachoeiras, gargantas, corredeiras e poços.

Segurança sempre
O perfil dos turistas que procuram o ecoturismo e o turismo de aventura, segundo Jefferson, é bem variado, indo desde pequenos grupos familiares, jovens até pessoas da terceira idade. “Os jovens são a maioria, mas nós recebemos muitas famílias e pessoas mais idosas também. Mas ao final dos nossos passeios todos sempre falam da sensação de prazer e bem-estar que sentem ao terminar uma trilha”, destaca.

Para o guia e empresário, o principal desafio para quem trabalha com ecoturismo e o turismo de aventura, não é somente conhecer bem as trilhas e a natureza da região, mas sim proporcionar um passeio agradável e com total segurança sempre. “Quem for procurar um passeio desse tipo deve respeitar todas as normas de segurança informadas pelos guias. É bom também buscar informações e referências sobre o treinamento da equipe que está organizando o passeio”, aconselha.

Fazenda Vagafogo
Situada a seis quilômetros do Centro Histórico, a fazenda Vagafogo é um dos primeiros e mais famosos estabelecimentos em Pirenópolis voltado para a prática do ecoturismo e do turismo de aventura. Com cerca de 43 hectares de extensão, a propriedade é cercada por uma enorme porção de mata ciliar com uma biodiversidade riquíssima. O local recebe, segundo Uirá Ayer, filho do casal fundador do santuário natural, cerca de 10 mil visitantes por ano, desse total, 25% buscam especificamente atividades ligadas à prática do ecoturismos e do turismo de aventura, como arvorismo, rapel, pêndulos (executados em um vão de 10 metros) e tirolesa.

Fazenda Vagafogo é uma das mais conhecidas opções para o ecoturismo e o turismo de aventura em Pirenópolis. Crédito: Haissam Massouh/Site Fazenda Vagafogo.
Fazenda Vagafogo é uma das mais conhecidas opções para o ecoturismo e o turismo de aventura em Pirenópolis. Crédito: Haissam Massouh/Site Fazenda Vagafogo.

A fazenda, situada junto a uma mata sempre verde com espécies típicas do cerrado, possui mais de 50 espécies lenhosas identificadas e uma significativa flora epífita, com 23 espécies de orquídeas, além de peperômias, bromeliáceas, cactáceas e musgos. No local também são encontradas árvores com saborosos frutos típicos da região, como o pequi, o araticum, o cajuí, a cagaita e a mangaba.

Uma rica fauna também pode ser observada no local. Com atenção e silêncio o visitante pode ter a sorte e registrar a presença de macacos-prego, micos-estrela, o macaco barbado (maior primata do Cerrado), o tamanduá-mirim, o veado-campeiro ou roedores de grande porte como a paca, a preá e a cutia.

Adquirida em 1975 pelo casal Evandro Engel Ayer e Catarina Schiffer, somente em 1992 é que a Fazenda Vagafogo foi aberta oficialmente para visitação pública. Mas para isso, antes os proprietários firmaram importantes parcerias, para que a prática de turismo na região fosse feita de forma realmente sustentável. Em 1990, a Fundação Pró-Natureza (Funatura) registra a fazenda como Reserva Particular do Patrimônio Natural ( RPPN) e é elaborado um Plano de Manejo, criando assim a primeira reserva do estado de Goiás. O projeto teve ainda o apoio da Embaixada Britânica, que forneceu recursos para a construção do Centro de Visitantes, e que foi implementado com a ajuda da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

Educação ambiental
Além da atividade turística, a Fazenda Vagafogo também desenvolve um trabalho de Educação Ambiental voltado para escolas, faculdades e outros grupos. Para explicar a relação de interdependência entre o ser humano e a natureza, bem como a necessidade de sua preservação, os participantes fazem uma trilha de 1.530 metros junto às árvores centenárias da mata ciliar primária que margeia o Rio Vagafogo.

A fazenda Vagafogo também conta com o famoso brunch (breakfast + lunch ou café-da-manhã + almoço) composto por 48 itens entre frutas do cerrado, geleias, queijo fresco, pães, doces e biscoitos, omeletes, pão de queijo e outros itens. “Tudo é feito aqui na fazenda de forma sustentável. Buscamos, sobretudo, levar aos nossos visitantes uma sensação de bem estar e de harmonia plena com a natureza. Algo que tem sido cada vez mais difícil hoje em dia”, ressalta o fundador da fazenda Evandro Engel Ayer.

TAMO JUNTO – Pirenópolis – 1ª Parte

TAMO JUNTO – Pirenópolis – 2ª Parte

Por Anderson Costa

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *