Envolvida com a produção e reforma das roupas dos cavaleiros desde os sete anos, Angélica Brandão é a responsável pela confecção das vestimentas dos personagens que participam da encenação sobre a famosa luta entre cristãos e mouros. Em Pirenópolis, o espetáculo folclórico é realizado há quase 200 anos.

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial nacional desde 2010, a tradição quase que bicentenária das Cavalhadas de Pirenópolis, e que integra os festejos em homenagem ao Divino Espírito Santo, traz personagens marcantes que vão além dos cavaleiros cristãos com suas vestimentas azuis e mouros com roupas vermelhas.

Por trás da encenação da histórica batalha ocorrida no século VI entre os homens liderados pelo imperador cristão Carlos Magno e os sarracenos de religião islâmica, em defesa da região do sul da França, estão figuras como a confeccionista e artesã Angélica Oliveira da Veiga Brandão, que com seu trabalho e arte mantém essa tradição secular viva. Ela é a responsável por cada renda e ponto de costura nas roupas e adereços utilizados pelos 24 cavaleiros durante a representação, que este ano está prevista para ser realizada entre os dias 9 e 11 de junho.

Hoje com 70 anos de idade, Angélica diz que aprendeu a tradição cedo, aos sete anos. A artesã relembra a herança cultural deixada pelas avós Benedita do Nascimento Veiga e Angélica Teodoro de Oliveira, depois passada para sua mãe Josefa de Oliveira Veiga e então para ela. “Eu ajudava a desmanchar as costuras e fui aprendendo os processos mais complexos com o passar do tempo”, lembra.

A confeccionista corta veludos, borda e confecciona as roupas. Segundo ela, o principal trabalho antes das festas é o de reforma da vestimentas. “Todo ano eu troco as plumagens e rendas. Em algumas ocasiões tenho que fazer novas roupas. Neste ano, por exemplo, serão quatro novas”, explica.

Legado

Com três filhos e oito netos, a confeccionista não tem certeza se conseguirá passar essa sua herança para a próxima geração. “Sinto que meus netos não querem continuar esse trabalho. Também tentei levar para as escolas na época em que era professora do primário [atual ensino fundamental], mas ninguém se interessou também”, conta a confeccionista.

Apesar da dificuldade de encontrar pessoas que queiram continuar seu legado, Angélica diz não temer pela continuação da tradição. “Sei que quando eu parar, a tradição vai continuar porque é uma festa muito importante para o nosso município”, diz

Significados

Angélica mantém o cuidado com cada detalhe nas vestes dos cavaleiros. Com os cristãos vestidos de azul e os mouros de vermelho, a confeccionista se preocupa com cada símbolo colocado nas vestimentas. “Em relação aos cristãos é mais fácil, usamos imagens mais relacionadas à Igreja Católica, como a coroa e a cruz. Já para representar os mouros é um pouco mais complicado”, disse lembrando de outras edições das Cavalhadas. “Os símbolos deveriam ser da cultura religiosa muçulmana, como a lua e a estrela, mas acabou não sendo muito aceita pelos cavaleiros. Eles preferiram símbolos da mitologia grega e, recentemente, alguns pediram para colocar brasões de famílias para diversificar”, explica.

Introduzida em Pirenópolis no ano de 1826 pelo padre Manoel Amâncio da Luz, os pirenopolinos seguem anualmente a tradição de encenar o histórico conflito entre mouros e cristãos no século VI. A representação acabou tornando-se um símbolo da resistência e avanço da religião cristã na luta por terras e novos fiéis, e no Brasil, faz parte dos vários festejos em homenagem ao Divino Espírito Santo.

As Cavalhadas são uma marca registrada da histórica cidade goiana localizada a 120 quilômetros de Goiânia e a 140 de Brasília. Na semana que antecede as encenações, as tropas percorrem casa por casa para convocar os cavaleiros para os ensaios. Já as apresentações duram por três dias no Cavalhódromo, espaço localizado no centro da cidade e criado especificamente para a celebração. Além dos cavaleiros, a representação também conta com os conhecidos mascarados, personagens folclóricos que se apresentam vestidos com roupas extravagantes e máscaras de animais, principalmente boi e onça, montadas à cavalo. Eles são responsáveis pela parte irreverente da Festa do Divino.

 


 

Movido pelo respeito ao meio ambiente e integração a natureza e arquitetura da cidade, o Quinta Santa Bárbara é o PRIMEIRO ECO RESORT de Pirenópolis.

E VOCÊ PODE SER UM DOS EXCLUSIVOS PROPRIETÁRIOS!

Saiba Mais

 

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *