Riqueza histórica, paisagística e cultural de Pirenópolis e região contribui para surgimento de novos itinerários que presenteiam turista com beleza, aprendizado, experiências gastronômicas e aventura. Conheça cinco roteiros incríveis para a cidade.

Distante 130 quilômetros de Goiânia e 150 de Brasília (DF), Pirenópolis ficou famosa pelas diversas cachoeiras que circundam o município, gastronomia e acervo histórico. Mas as atrações vão muito além destas. Entender como foi o Ciclo do Ouro em Goiás, ver e sentir as belezas do Cerrado nas suas mais diversas formas ou descobrir uma cultura viva nascida no século 18 são opções. Para quem quer extrair o máximo de uma visita à cidade ou fazer um passeio diferenciado, sobram alternativas. Confira seis roteiros criados moradores que vivem a cidade e sua riqueza: Descobrir a história do ciclo de ouro em Goiás.

Pirenópolis foi uma das principais cidades onde o Ciclo do Ouro foi mais forte em Goiás no século 18. Fragmentos dessa fase, que inclusive motivou a formação do município, podem ser percebidos em um City Tour promovido pelos guias da cidade.

Esta é a dica do guia Mauro Cruz, um dos responsáveis pelo passeio. Com cerca de uma hora de duração, o passeio é uma viagem no tempo. Cruz diz que normalmente o trajeto é feito à pé.

Ele passa pelo centro histórico, visitando pontos como a Igreja Matriz, os casarões mais antigos da Rua Da Direita, Museu das Cavalhadas, margem direita do Rio das Almas, Museu de Arte Sacra, Praça do Coreto, Rua Aurora e Igreja do Bonfim. Nos museus é possível ver elementos que compõem a história do Ciclo do Ouro.

“Ao passar por cada ponto, falamos sobre os aspectos históricos, arquitetônicos e culturais de cada espaço”, diz.

Para conhecer mais sobre o Ciclo do Ouro em Pirenópolis, após o City Tour, o guia sugere seguir de carro até as ruínas das minas. O trajeto leva cerca de 10 minutos. Depois, o viajante vai à pé mesmo.

Resquícios da exploração do minério, diz Cruz, podem ser vistos ao subir a margem do rio que corta a cidade. Ele salienta que o terreno é um pouco acidentado, não recomendado para pessoas com mobilidade reduzida, mas não chega a ser empecilho para a maioria.

“É uma ruína de buracos. Tem as trilhas arrumadas à beira do Rio. É possível ver o terreno de aluvião e você tem o mato que cresceu debaixo de uma floresta. As ruínas formam um labirinto de pedras redondas empilhadas. Imagine um labirinto de pedra, é isso que está lá”, descreve o guia.

A importância do Ciclo do Ouro para a cidade se faz presente até no primeiro nome do município: Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte.

Historiadores afirmam que as minas da região foram descobertas pelo bandeirante Amaro Leite e entregues aos portugueses por Urbano do Couto Menezes, companheiro de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera Filho, na primeira metade do século XVIII. Com o tempo, a economia foi puxada pela agricultura, principalmente o algodão para exportação, depois pela a exploração e pedras e, atualmente, pelo turismo.

Desfrutar de uma vista paradisíaca no Pico dos Pirineus

Para a jornalista Tatiane Di Passos, moradora da cidade, subir o Pico dos Pirineus e um passeio imperdível para quem vai à cidade e pode ser feito por toda família. A dica é iniciar o passeio logo pela manhã, às 9h. A subida pode ser feita de carro e leva aproximadamente uma hora e meia. A elevação da altitude na estrada cercada de Cerrado “exuberante” possibilitar ver Pirenópolis do alto, bem como várias das cachoeiras.

“Chapéu, repelente, protetor solar, roupa fresca e tênis” são itens de primeira necessidade, recomenda Tatiane. A recomendação é ir devagar para evitar acidentes com os donos da casa, os animais, e apreciar árvores e flores como as Polianas, que florescem nesta época do ano.

À medida que a subida da Rodovia Parque dos Pirineus avança, o céu azulado, se torna “paradisíaco”, ressalta Tatiane. Na estrada é possível fazer pausas nas cachoeiras como a do Lázaro e Santa Maria. O acompanhamento de um guia é importante e a entrada para as cachoeiras custa aproximadamente R$ 30 por pessoa.

A pousada Villa dos Pirineus pode ser um ponto de apoio para quem saiu mais tarde ou quer almoçar antes de concluir o passeio. No local, um belo jardim e a arquitetura contemporânea também merecem virar fotos.

Ao passar pelo portal do Parque dos Pirineus as cachoeiras e a cidade parecem ainda menores. No alto, a vegetação se transforma e as nascentes, inclusive a do Rio das Almas que passa dentro de Pirenópolis, se multiplicam. Neste cenário, as Palipalantos – flor do Cerrado mais conhecida como chuveirinho – também atraem olhares dos turistas que não resistem em fazer cliques.

A partir do estacionamento é possível seguir em trilhas mais fáceis ou mais desafiadoras, que são um chamariz para os amantes do trekking. A visita se completa ao avistar a Capelinha, dedicada à Santíssima Trindade. A vista esplêndida alcança 360º e é possível à sua altitude: 1.385 metros.

Fazer trilhas incríveis sobre duas rodas

A dica vem de ninguém menos que a atual 10º lugar no ranking mundial de Mountain Bike feminino, a ciclista Raísa Goulão, que participou da Olimpíada Rio 2016, e é cidadã pirenopolina. Quando está na cidade, ela aproveita o relevo de Pirenópolis para treinar. Segundo ela, mesmo ciclistas amadores podem fazer bons passeios na região em segurança e conhecer locais como a Cachoeira do Abade, distante 15 quilômetros do Centro Histórico.

Mas a recomendação de Raísa é encher o tanque da magrela com um bom café da manhã na Dona Sebastiana, no Centro Histórico. A ciclista é enfática em sua dica “eu indico o biscoito de queijo”. Além disso, diz Raísa, sucos de frutas típicas do Cerrado preprados na hora também são “delícias” do local.

Ela sugere uma pedalada de aproximadamente 15 quilômetros até a Cachoeira do Abade. A Subidinha dos Pirineus é feita em uma estrada não pavimentada, mas em boas condições. “A maior dificuldade é a inclinação mesmo”, destaca Raísa.

A parada no Mirante do Ventilador, após uma subida de aproximadamente 8 KM indica que é o momento de tomar um fôlego e fazer boas fotos. No local, a água de côco é uma das alternativas para reidratação. Os menos dispostos podem retornar deste ponto. Mas para conhecer a cachoeira são mais 7 KM. Neste trecho as subidas se revezam com as descidas, tornando o trecho menos exigente com o preparo do ciclista.

Na cachoeira há almoço que custa na faixa de R$ 40. De barriga cheia, olhos encantados e mente aliviada, é hora de voltar. Vale a pena tomar cuidado com os trechos mais íngrimes. Raísa sugere repor as forças com um café da tarde na Rua Aurora, sob a luz do pôr do sol.

Conhecer Lagolândia e a Lagoa Azul

Os turistas mais frequentes em Pirenópolis estão explorando outros locais da região, como Lagolândia e a Lagoa azul, por exemplo.

O primeiro é um distrito de Pirenópolis e fica a aproximadamente 37 quilômetros, sendo 7 deles em via não pavimentada. Cerca de 18 quilômetros adiante está a Lagoa Azul uma piscina natural de águas cristalinas, onde as bóias feitas de câmaras de ar permitem o turista permanecer um bom tempo na água.

Morador da região, o artista plástico Claudimar Pereira se encanta repetidamente com o passeio. A sugestão de Pereira é sair no início da manhã e abrir bem os olhos para a paisagem “exuberante” do Cerrado. No caminho, feito pela GO-338, diz ele, estão várias fazendas tradicionais, comidas e histórias.

Em Lagolândia, ele sugere conhecer a história de Santa Dica. Batizada como Benedita Cipriano Gomes, ela foi uma moradora da região. Conta a lenda que ela dada como morta, mas, dizem os locais, voltou à vida após três dias de velório. Sua história já foi tema de livro e do filme República dos Anjos. Entre os feitos atribuídos à Santa Dica estão várias curas e a participação de batalhões de soldados que atuaram Revolução Constitucionalista de 1932.

Na Lagoa Azul é possível apenas se deslumbrar a beleza do gramado, curtir a piscina natural em boias ou se aventurar pulando da cachoeira. “É um distrito que está se preparando para o turismo. Eu vejo isto e já conversei com algumas pessoas falam que vai ter esta preparação para o turismo”, destaca Pereira. Outro atrativo, este para outra época do ano, é a Festa do Doce, realizada em junho.

Visitar uma fazenda construída pelos escravos

Artesanato, história e gastronomia se encontram na Fazenda Babilônia, situada no KM3 da GO 403 – via pavimentada – a 28 quilômetros de Pirenópolis. A fazenda foi construída por escravos no século XVIII e possui um imenso acervo histórico. Esta é apenas uma das dicas do secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Juventude, Beto Rego, para aprender e sentir um pouco da história do Brasil.

A Fazenda conserva o casarão em estilo colonial e diversos muros de pedras, construídos pelos escravos- um registro da história do negro no País. A história do negro e sua riqueza cultural estão presentes em vários pontos do local. Para os amantes da gastronomia, o café colonial servido na Babilônia é um grande atrativo.

Outra “parada obrigatória” na visão de Rego é o Museu de Arte Sacra. O local foi construído em 1750 pelo abastado minerador Luciano Nunes Teixeira e seu genro Antônio Rodrigues Frota, para servir de capela particular dedicada, a princípio, a Nossa Senhora das Mercês. Em seu interior estão diversos objetos de culto, sinos, altares, imagens e painéis educativos.

Assistir um filme em cinema histórico

O Cine Pirineus também está no roteiro do secretário. O prédio de arquitetura neoclássica, localizado na Rua Direita, foi construído em 1919 pelo padre espanhol Santiago Uchoa. O local também passou por uma restauração recentemente e é um convite para uma viagem na história das telonas. Uma das relíquias do lugar são os equipamentos 5 mm, formato que não é mais utilizado pela grande indústria do cinema.

No Cine Pirineus são exibidos filmes produzidos na região e até um documentário sobre a cidade dedicado aos turistas. Lá também são realizados festivais de cinema durante o ano, como o Pirenópolis.doc e o Slow Filme. A programação pode ser consultada diretamente na Secretaria de Cultura do município no telefone (62) 3331-3763.

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