Espaço alcança o seu centenário neste ano com apresentações culturais e palestras. Atração turística da histórica Pirenópolis mantém viva a tradição com exposições de filmes mudos e atrai fãs da sétima arte

Construído inicialmente no estilo arquitetônico neoclássico, em 1919, o Cine Pireneus é um espaço cheio de memórias e que enriquece ainda mais a história da quase tricentenária cidade de Pirenópolis,  a 120 quilômetros de Goiânia e a 140 de Brasília. Tombado dentro do conjunto arquitetônico do Centro Histórico do município, o local ainda é o ponto de encontro de grupos que se interagem com o objetivo de apreciar a arte, promover e fomentar atividades culturais.

No ano de 1936, o espaço ganhou uma repaginação e influências do estilo arquitetônico art dèco. Foi quando também passou a funcionar como cinema, tornando-se um dos precursores de exposição da sétima arte no Centro-Oeste. Situado numa das mais antigas e importantes ruas do centro histórico, atualmente, além de filmes, também recebe apresentações musicais, peças teatrais, saraus, palestras e exposições de quadros.

De acordo com o gerente do local, Walker Pina, o Cine Pireneus busca aproximar diferentes tipos de públicos, mas sem se esquecer da tradição e da história do cinema na cidade. “Em nosso projeto Cineclube Pireneus, por exemplo, exibimos às quartas e aos sábados filmes de uma coleção de cerca de 70 produções que foram doadas pela UEG [Universidade Estadual de Goiás]. Ainda buscamos aproximação com a comunidade, atraindo as escolas para dentro do cinema, onde os professores podem marcar sessões temáticas e os alunos acabam conhecendo a história do cinema”, explica Walker.

Ainda conforme o gerente, o espaço recebe três tradicionais festivais por ano: o Pirenópolis Doc, Slow Filme e a Mostra de Cinema Silencioso. Walker ainda afirma que o local está aberto para toda a sociedade. “Aqui estamos disponíveis para atender diferentes tipos de públicos, desde pessoas que vivem distante da cidade até atrações oferecidas pelo Governo, como o Canto da Primavera”, destaca.

História

Na década de 1920, o Cine Pireneus foi o responsável pelo início da vida cinematográfica em Pirenópolis, por iniciativa do advogado e poeta Sebastião Pompeu de Pina, do músico Gedeão de Siqueira, e do padre Santiago Uchôa. O local funcionou como cinema mudo até 1935, ficou um ano sem atividades e voltou a funcionar até 1966, quando passou por novas reformas e a aquisição de equipamentos. Sua administração foi transferida pela prefeitura de Pirenópolis em 1975.

Ao longo dos anos, o espaço passou por momentos difíceis. Em meados da década de 1980, parte da estrutura do cinema acabou desmoronando, restando apenas a fachada em estilo Art Dèco. “Restou apenas entulhos do cinema durante 15 ou 20 anos até o surgimento de um movimento de valorização do patrimônio histórico. A população se reuniu para retirar parte dos escombros e passou a fazer apresentações no que havia restado do espaço”, conta Walker.

Direto de Hollywood

Apesar das dificuldades, o gerente do Cine Pireneus prefere lembrar e contar sobre momentos mais felizes, como a reconstrução do espaço. “Entre 1998 e 2000, o cine foi completamente reconstruído, com exceção da fachada, que se manteve em pé, após o desmoronamento”. Outro fato que Walker faz questão de citar são as visitas ilustres que o espaço já recebeu. “Já tivemos aqui muita gente importante, uma dessas convidadas foi a atriz norte-americana Janet Gaynor, primeira mulher a ganhar o Oscar, no ano de 1928”, conta.

O Cine Pireneus ganhou ainda mais importância com o fechamento do Teatro Sebastião Pompeu de Pina, ocorrido em 2016. “As atrações que aconteciam no teatro passaram para o cinema. O local continuará recebendo as atrações até que o processo de reforma que está transitando no Estado seja concluído”, explica Walker Pina.

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