Por quatro dias Piri foi o palco nacional desse estilo cinematográfico. O filme de estreia do diretor Miguel Antunes, “Banco Imobiliário”, foi um dos vencedores da segunda edição do Pirenópolis Doc.

Com um público de três mil pessoas que passaram pelo Cine Pireneus durante quatro dias, os júris popular e especializado conferiram o prêmio de melhor longa-metragem para “Banco Imobiliário”, dirigido por Miguel Antunes Ramos. O filme foi o grande vencedor na Mostra Competitiva Nacional da segunda edição do Pirenópolis Doc – Festival de Documentário Brasileiro, encerrada no último domingo (7).

O longa de estreia de Miguel Antunes capta, com um olhar afiadíssimo, os efeitos do crescimento desordenado das cidades e faz uma crítica ácida e ao mesmo tempo bem humorada sobre a especulação imobiliária.

Na categoria melhor curta-metragem, o prêmio ficou com “Dia de Pagamento”, de Fabiana de Moares, que fala sobre as mudanças na vida dos moradores de Rio da Barra, um povoado de Sertania no interior de Pernambuco, após o início das obras da transposição do Rio São Francisco. “Enquanto moradores constroem casas e conseguem incluir novos alimentos nas compras do mês, meninas são sexualmente exploradas, vagas de emprego deslocam-se para outras cidades e a falta de perspectiva se instala”, conta a diretora.

Já na Mostra Competitiva Regional, destinada aos filmes produzidos em Goiás, o júri popular elegeu a produção “João Pé de Chumbo: Seus Segredos”, de Julia Pascalli. “Achei muito legal o júri ter escolhido um filme feito em Pirenópolis e sobre uma personagem da cidade”, afirma Fabiana Assis, curadora e organizadora do Festival Pirenópolis Doc. O documentário regional mostra a história de vida de um dos imperadores da Festa do Divino Espirito Santo de Pirenópolis, João Geraldo da Costa Pina, mais conhecido como João Pé de Chumbo, ator e conhecedor de segredos da natureza e das histórias do tempo de escravidão.

A diretora Alice Riff recebeu menção honrosa das juradas Alice Fátima e Tânia Montoro pelo filme “Orquestra Invisível Let’s Dance, que conta a história de “Seu Osvaldo”, o primeiro DJ do Brasil.

Consolidado
Ao longo de quase três meses, foram centenas de produções vindas de várias partes do Brasil e enviadas para a curadoria do festival, que selecionou um total de 26 filmes para participarem das mostras competitivas do Pirenópolis Doc.

Para a organizadora do Festival, Fabiana Assis, o aumento significativo do público e um maior número de obras inscritas demonstram como o evento está se firmando no circuito nacional de documentários. “No ano passado foram 480 obras inscritas, este ano o total saltou para 510. Contabilizamos também mais de três mil pessoas que passaram pelo Cine Pireneus para assistirem aos filmes e participarem das oficinas. Tudo isso nos mostra que o Festival está sim se consolidando e se firmando”, destaca Fabiana.

Agradecimento
Por quatro dias o festival agitou Pirenópolis, agradando donos de bares, restaurantes e de pousadas da cidade. “Foi muito legal! Veio muita gente de Brasília, Goiânia, de Anápolis e de outros Estados. Alguns donos de bares e pousadeiros até vieram nos agradecer pela boa movimentação que o evento trouxe para a cidade. Isso nos deixa muito feliz”, diz Fabiana.

Para as próximas edições, a curadora e organizadora do Pirenópolis Doc espera uma participação maior do público da própria cidade. “Eu só senti falta de uma participação maior dos moradores da cidade. Acho que muita gente ainda pensa que documentário é um filme para dar informações, como se fosse uma grande reportagem, e não sabem que há ali uma visão e uma linguagem artísticas”, afirma.

Com o objetivo de discutir, conhecer, dialogar e impulsionar o documentário desenvolvido em todas as regiões do País, o Pirenópolis Doc é promovido pela Violeta Filmes e Maricota Produções e realizado com apoio do Fundo Estadual de Arte e Cultura do Estado Goiás e da Lei Goyazes.

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