Candidatando pela segunda vez ao sorteio de escolha para o organizar a essa centenária festa de Pirenópolis, a mais importante do calendário local, o comerciante Celmo Sousa fala da honra em exercer função e diz que preparativos já começaram

Era a segunda vez que o comerciante e ex-pedreiro Celmo Sousa, de 44 anos, tentava a sorte para ser escolhido o grande Imperador Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, uma das festividades mais tradicionais de Goiás e que é celebrada há mais de 200 anos. No dia 20 de maio, durante a missa de encerramento da festa do ano passado, quando também foi feito o sorteio para o próximo imperador, as preces de Celmo e sua família foram atendidas, e desde então, a ele foram concedidas a honra e a responsabilidade de fazer e acontecer uma das mais ricas e bonitas celebrações da cultura de Goiás.

Embora o ponto alto da Festa do Divino ocorra entre os dias 9 e 11 de junho, quando são realizadas as famosas cavalhadas de Pirenópolis, vários eventos e celebrações antecedem esse momento principal. Uma extensa programação de mais de 45 dias que mobiliza a cidade e encanta os visitantes. No dia 31 de maio, inclusive, inicia o período da Novena do Divino Espírito Santo. Por enquanto, o imperador Celmo Sousa afirma que está organizando algumas coisas, fazendo contatos e pedindo apoio para a realização de toda a programação.

Nascido em Pirenópolis, o atual imperador do Divino participa da festa há vários anos e agora, que tem a honra de ter a coroa da festa em casa, pretende fazer o melhor. “Estamos preparando as lembrancinhas artesanais, fazendo tudo à mão mesmo, é bem simples e minha família está me ajudando. Estamos preparando o envio de convites também”, adianta o organizador da festa deste ano.

Mesmo ocupando a função de imperador pela primeira, Celmo diz que ele e a família conhecem bem as celebrações da Festa do Divino, afinal é uma tradição com a qual tem contato desde muito jovem. “Eu já participo da folia Renovação Cristã há 15 anos. Então estou bem por dentro da festa e minha esposa também é envolvida nos festejos, ela promove apresentação de dança e cavalaria”, destaca.

Mas para que tudo saia dentro do script, o comerciante diz que irá se valer também da experiência de outros imperadores. “Um fala uma coisa, outro dá um conselho ou dica, então vou tentar fazer do jeito que eles estão falando. Vou aproveitar essa experiência”, conta.

Ex-pedreiro

A primeira vez que Celmo Sousa entregou seu nome para o sorteio da Festa do Divino, foi durante o encerramento dos festejos em 2017, mas na ocasião, pela ordem dos nomes sorteados ele ficou com a função de mordomo da bandeira. Mas um ano depois ele foi abençoado com a maior das honrarias para um pirenopolino.

Ele confessa que, embora a vontade de realizar a festa fosse grande, ficava com receio de receber tal missão. Sousa é comerciante em Pirenópolis e seu negócio, uma loja de materiais de construção, situada no Centro Histórico da cidade, nasceu há 14 anos em parceria com um cunhado. Antes disso, trabalhava como pedreiro. O atual imperador do Divino é pai de três filhos; um homem e duas mulheres, com idades, respectivamente de 21, 17 e 14 anos e casado com Angela Bonfim de Sá e Sousa.

Além do imperador, formam a corte da festa do Divino em Pirenópolis neste ano: Maicon Douglas da Silva, como mordomo do mastro; Antônio Pereira Barbosa, mordomo da bandeira; José Maurício Triers Junior, mordomo da fogueira; Eustak Figueiredo, mordomo dos fogos e Thales José Jayme, mordomo das velas.

História

Consta nos registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que uma das versões mais divulgadas sobre a origem da festa do Divino Espírito Santo vem dos primórdios em Portugal, na passagem do século XIII para o XIV. A celebração teria sido instituída pela rainha Dona Isabel, esposa de Dom Diniz, o rei lavrador, em franco conflito com a Igreja Católica.

Cinquenta dias após a Páscoa, no domingo de Pentecostes, o Espírito Santo – terceira pessoa da Santíssima Trindade – era festejado com banquetes e distribuição de esmolas aos pobres. O auge do culto ao Espírito Santo em Portugal coincidiu com o período mais intenso das grandes navegações marítimas lusitanas.

Ao Brasil a festa religiosa chegou graças à influência catequista dos padres jesuítas e se espalhou por diversas regiões. Foi trazida a Pirenópolis na metade do século XVIII, havendo registros a partir de 1819. Até hoje, a festa movimenta praticamente toda a população pirenopolina e seus visitantes. Encanta por sua ornamentação, tradição e preservação dos fatos e costumes.

Além de sua importância religiosa, a Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis guarda também uma importância cultural enorme, pois reúne em seus cerca de 50 dias de festejos uma série de manifestações folclóricas praticadas em várias partes do Brasil como por exemplo: a dança do congo, a catira, a apresentação da banda de couro, a Folia do Divino com o cortejo religioso de cavaleiros e o ponto alto da festa, as cavalhadas, espetáculo ao ar livre e com três dias de duração, que remontando à célebre batalha entre mouros e cristãos, ocorrida no século VI, na região da Península Ibérica, na Europa Medieval.

(Crédito fotos: Arquivo pessoal)

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