A Matutina Meiapotense, primeiro veículo impresso de Goiás, projetou o Estado no cenário nacional. Jornal circulou entre os anos de 1830 e 1834.

Entender qual a importância do primeiro jornal de Goiás como espaço democrático de discussões e debates. Essa é a proposta da dissertação da jornalista Alessandra Curado, defendida em maio deste ano, no curso de mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG). A Matutina Meiapotense foi o primeiro veículo impresso do Estado e circulou entre 1830 e 1834, tendo como sede a cidade Pirenópolis. Embora não fosse a capital da província, era o município mais populoso naquela época.

“Era também onde residia o empreendedor mais rico de Goiás, Joaquim Alves de Oliveira, [fundador do periódico]. Sua fortuna correspondia a um valor entre 500 e 600 contos de Réis, quase 20 vezes a arrecadação de Goiás no ano de 1818”, explica Alessandra Curado.

A jornalista explica que à época o jornal projetou Goiás no cenário nacional. Segundo ela, nas quatro páginas eram expostos apenas textos, ou seja, não havia ilustrações. O conteúdo era distribuído graficamente em duas colunas. Para ter acesso ao material jornalístico era possível assinar o periódico por 2 mil réis o trimestre, o equivalente a aproximadamente a R$ 1.280,00, em valores atualizados. “O jornal era impresso inicialmente duas vezes por semana, mas houve um período em que havia três edições a cada sete dias”, afirma a pesquisadora.

O primeiro diretor da Matutina Meiapotense foi o padre Luís Gonzaga de Camargo Fleury. A pesquisadora concluiu que o jornal contribuiu para a formação da democracia e a noção de esfera pública em Goiás, uma vez que havia espaço para correspondentes e leitores exporem opiniões. “Encontrei uma carta de uma feminista que disse que ‘nunca iria se casar, pois não iria se submeter aos abusos dos homens’, uma mulher naquela época escrevendo já era uma raridade e, com um pensamento tão contrário à ‘boa ordem e aos bons costumes’, ainda mais”, ressalta.

Alessandra conta que a pesquisa para sua dissertação é a continuação de seus estudos sobre a Matutina Meiapotense. Ela diz, que como jornalista, sempre foi uma grande entusiasta da história da imprensa goiana e que a Matutina Meiapotense oferecia um material “riquíssimo” para estudos, sem falar de sua importância. O estudo acadêmico foi apresentado à banca do curso de mestrado da UFG e aprovado sem ressalvas. Para redigir sua tese, Alessandra revelou que fez uma pesquisa de dois anos.

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