A festa é uma das mais antigas e tradicionais e a vinda da imagem para a cidade, no ano de 1750, é cercada de mistério. A expectativa é reunir cerca de 900 romeiros

Por Anderson Costa

Entre os dias 2 e 11 de setembro, a Festa do Nosso Senhor do Bonfim em Pirenópolis deve atrair cerca de 900 romeiros vindos da própria cidade e de distritos e municípios próximos. Essa é a expectativa do padre Carlito Bernardes de Oliveira Júnior, da Paróquia Santa Bárbara, que pela segunda vez está à frente da organização de uma das mais antigas e tradicionais celebrações religiosas da cidade.

Durante todos os dias de festa, sempre a partir das 18h30, haverá a exposição da imagem do Santíssimo, seguida de novena e da Santa Missa. Após a parte religiosa da celebração, segue a Programação Social com a venda de comidas e produtos típicos nas barracas montadas nas imediações da igreja do Nosso Senhor do Bonfim, no Centro Histórico; a realização de leilões de prendas e por fim a animação fica por conta dos shows musicais de artistas locais. O ponto alto da festa, segundo o padre, é o último dia, quando ocorre a procissão que vai da paróquia de Santa Bárbara (no Bairro Morro de Santa Bárbara) até a matriz do Nosso Senhor do Bonfim. “Depois realizamos uma enorme missa campal. É quando há um número maior de fiéis”, explica o sacerdote.

De acordo com o padre Carlito, a celebração em nome do Nosso Senhor do Bonfim é realizada há mais de 100 anos em Pirenópolis. Ele lembra que no começo a festa atraía muitos fazendeiros e pequenos produtores rurais, que pediam bençãos e graças para suas famílias, mas sobre tudo proteção para as criações e plantações, e agradeciam pelo ano que já começava a se findar. “Até hoje as famílias da cidade trazem os seus leilões para a festa, que na verdade são prendas ou ofertas à igreja, como por exemplo, doces artesanais, quitutes diversos, alguns trazem criações como galinhas, porcos, gado, milho e outros tipos de plantações. Então esses produtos são leiloados para levantar fundos para a igreja”, explica padre Carlito.

Festa do Senhor do Bonfim
Festa do Senhor do Bonfim

Segundo o pároco, o que for arrecadado na festa deste ano será para a construção da nova Igreja de Santa Bárbara, no Bairro Morro de Santa Bárbara (próximo ao quartel da cidade). “Também vamos sortear a rifa de uma moto para podermos levantar mais recursos e com isso concluir as obras dessa nova matriz para Santa Bárbara”, conta padre Carlito.

Mistérios do Senhor do Bonfim
Diz a lenda que a cidade de Pirenópolis não era o destino final da imagem do Senhor do Bonfim, que em 1750 vinha da Bahia rumo à cidade de Silvânia (na época chamada de Arraial Nosso Senhor do Bonfim), trazida por um comboio com mais de 260 escravos e sob o comando do sargento-mor Antônio de Campos Bastos.

Talvez, Pirenópolis não tenha sido o destino escolhido pelos homens para a imagem sagrada. A lenda da origem da construção da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim é contada pelo sacristão da Matriz Nossa Senhora do Rosário, Eduardo Tadeu do Nascimento, que além de um grande entusiasta das festas de Pirenópolis, é um profundo conhecedor das histórias e lendas dessas celebrações e das igrejas da cidade.

Eduardo conta que a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim em Pirenópolis foi edificada entre 1750 e 1754, em estilo colonial português. Segundo ele, os 260 escravos que faziam parte do comboio que trazia a imagem de Salvador, ao chegar na entrada de Pirenópolis, estavam exaustos e sedentos por água. “Dizem que o caixote onde estava a imagem do Senhor do Bonfim foi colocado no chão, logo depois disso um raio vindo do céu teria caído a 50 metros desse caixote com a imagem. E no ponto do chão onde o raio teria atingido, uma pequena mina d’água surgiu para que os escravos pudessem matar sua sede”, diz Eduardo.

Foi então no exato ponto onde o raio teria caído que o sargento-mor Antônio de Campos Bastos resolveu edificar uma nova igreja ao Nosso Senhor do Bonfim, onde até hoje está a imagem que a princípio era para ser levada para a cidade de Silvânia. “Ainda hoje, vivem na cidade de Anápolis descendentes de Antônio de Campos Bastos, que guardam as argolas de ferro do caixote que trazia a imagem vinda da Bahia”, afirma Eduardo. De acordo com o sacristão, além dessa, existem muitas outras histórias interessantes de devoção e de milagres atribuídos à imagem de Nosso Senhor do Bonfim. “Mesmo que sejam relatos que não tenham comprovação, são histórias que fazem parte da nossa cultura, do nosso folclore e que nos inspiram”, destaca Eduardo.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *