Evento contará com músicas, exposições, oficinas e mais de 100 atividades voltadas para o público adulto e juvenil. Tema deste ano aborda a pluralidade e a diversidade do povo brasileiro

A maior e mais tradicional festa em Goiás dedicada à literatura e aos livros, a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri), dá início a sua 10ª edição no próximo dia 21 (quarta-feira) e segue até 24 de agosto (sábado). Ao longo dos próximos dias, o Centro Histórico da cidade será palco de apresentações musicais, exposições, oficinas, debates e, claro, encontro com grandes escritores. O autor homenageado nesta edição será o contista, romancista e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, membro da Academia Brasileira de Letras. O autor estará na cidade no próximo dia 22, participando da abertura oficial da festa.

O tema desta 10ª Flipiri é Brasil Plural, que busca valorizar a diversidade de origens e costumes do povo brasileiro. “Somos um povo muito miscigenado e isso é a nossa riqueza. Não somos um povo constituído apenas pela miscigenação do negro, do índio e do europeu, mas também de estrangeiros. Essa pluralidade é o grande diferencial do brasileiro”, explica Iris Borges, curadora do evento.

Com ampla programação gratuita, a Flipiri deste ano contará com mais de 100 atividades voltadas para o público adulto e juvenil. Uma dessas atrações é o encontro de ilustradores, que contará com mesas e oficinas de ilustração. Fernando Lopes, ilustrador que se consagrou com seus desenhos críticos e irônicos em grandes jornais, como o Correio Braziliense e o Jornal de Brasília; e Roger Mello, ilustrador vencedor do Prêmio Internacional Hans Christian Andersen de 2014, são alguns dos convidados para o encontro. Outra dica é a Flipiri Independente, que buscará dar visibilidade para escritores que não possuem vínculos com editoras. Nesta edição, contará com importantes nomes, como do escritor brasiliense Thiago de Barros, que falará sobre o romance N(ovo), e a autora Adelaide Paula, que contará as histórias dos livros infantis Depois do arco-íris tinha uma escola e As aventuras de Bonitona e a vida secreta dos bichos.

Crise e evolução

A baixa de vendas e a crise vivenciadas, principalmente, pelas grandes editoras serão discutidas durante a 10ª Flipiri. Para a curadora Iris Borges, apesar das grandes dificuldades enfrentadas pelas “megalivrarias”, “o que tem havido é uma crise no modelo de negócio, já que esses empreendimentos sentiram o peso de ser empresas de grande porte e, consequentemente, terem que fazer muitas vendas”. “Já trabalhei no mercado editorial em várias instâncias, como distribuidora de livros, escritora… e não senti tanto impacto nessa queda de venda dos livros. O que percebi é que o livro não foi feito para o grande negócio, mas para pequenos nichos e grupos segmentados. Para as empresas que sentiram essa queda, o momento é de se reinventar, principalmente por causa das grande mudanças provocadas pelas tecnologias digitais”, explica a curadora.

Sobre a evolução da Flipiri ao longo de dez edições, Iris destaca que a maior contribuição da festa foi o trabalho desenvolvido junto às escolas de Pirenópolis. “Fizemos um pequeno projeto que consiste na distribuição de livros em salas de aulas e motivamos as professoras a leram com os alunos”, destaca. “Durante a Flipiri, proporcionamos o encontro entre escritores e os estudantes e, com o passar dos anos, até as perguntas evoluíram, passando de perguntas rasas, sobre a vida dos autores, para mais complexas, sobre o processo de criação de histórias e personagens”, completa.

Sobre o homenageado
Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara, interior do estado de São Paulo, Brasil, em 31 de julho de 1936. Iniciou sua carreira jornalística como crítico de cinema aos 16 anos, no semanário Folha Ferroviária, passando em seguida para o diário O Imparcial, onde ficou por cinco anos e aprendeu tudo. A fazer entrevistas, reportagens, fotografias, impressões.

Aos 21 anos, embarcou para São Paulo e entrou para o jornal Última Hora, um dos mais modernos da época, que provocou uma revolução gráfica na imprensa. Mergulhou na cidade, na vida, no jornalismo e fez de São Paulo sua personagem constante.

Em 1963, morou na Itália, onde foi correspondente do Última Hora e fez reportagens free-lance para a TV Excelsior, Canal 9 de São Paulo, tendo coberto inclusive a morte do papa João XXIII. Em 1965, lançou seu primeiro livro Dentes ao Sol (contos). Vieram depois 42 livros, entre romances, contos, crônicas, viagens, infantis e uma peça teatral. Entre os mais conhecidos estão Bebel que a Cidade Comeu, Dentes ao Sol, O Beijo Não Vem da Boca e Cadeiras Proibidas.

Dele são dois clássicos: Zero, de 1975, tendo sido publicado primeiro na Itália, por causa da censura e da ditadura militar. Publicado no Brasil em 1975, foi proibido pela ditadura militar, sendo liberado somente três anos mais tarde. Está traduzido hoje em 11 línguas. O outro clássico do autor é Não Verás País Nenhum, de 1981, que mostra um Brasil sem árvores e sem água.

Programação

21/5 (quarta-feira)

Dia de atividades internas destinadas à visitação em escolas com escritores.

22/5 (quinta-feira)

9h às 14 horas: Flipiri na Rádio Jornal Meya Ponte

19 horas: abertura oficial com fala da curadora e autoridades com Ignácio de Loyola Brandão e Eliane Lage (Salão Paroquial).

21 horas: apresentação musical Armorial Noites Goianas (Palco – Praça Flipiri)

23/5 (sexta-feira)

9h às 11 horas e 14h às 16 horas: sexta pedagógica – oficinas para professores (Colégio Estadual Comendador Joaquim Alves de Oliveira)

8h30: Apresentação teatral “Baú de Histórias com o grupo Paepalantus (Palco – Praça Flipiri)

10 horas: Programação cultural – Teatro de Fantoches (Palco – Praça Flipiri)

10 horas: Encontro de ilustradores (Salão Paroquial)

10 horas: Flipiri na Rádio Jornal Meya Ponte

14 horas: Oficina de Ilustração (Salão Paroquial – Mezanino)

14 horas: Mesa: o futuro do livro no Brasil (Salão Paroquial)

15 horas: Flipiri Independente (Praça Flipiri)

15 horas: Programação cultural (Teatro de Fantoches)

16 horas: Flipiri Jovem (Praça Flipiri)

18 horas: Apresentação cultural (Praça Flipiri)

19 horas: Conferência com as autoras Vera Maria Tietzmann e Lucília Garcez (Salão Paroquial)

24/5 (sábado)

10 horas: Oficina de encadernação manual para iniciantes (Praça Flipiri)

10 horas: Flipiri Independente (Praça Flipiri)

10 horas: Lançamento do livro A casa do Ser, de Ana Póvoas (Praça Flipiri)

10 horas: Encontro de ilustradores (Salão Paroquial)

14 horas: Oficinas de ilustrações (Salão Paroquial)

14 horas: Mulherio das Letras – Regional do Centro-Oeste (Praça Flipiri)

14 horas: Apresentação musical (Cinema)

15 horas: projeção dos filmes Miss Potter e Mister Pig

15 horas: Flipiri independente (Praça Flipiri)

15 horas: Lançamento do livro Naqueles Tempos, de Marieta Souza Amaral (Praça Flipiri)

16 horas: Flipiri independente (Praça Flipiri)

17 horas: Apresentações culturais (Praça Flipiri)

19 horas: Mesa Brasil Plural (Salão Paroquial)

 

Movido pelo respeito ao meio ambiente e integração a natureza e arquitetura da cidade, o Quinta Santa Bárbara é o PRIMEIRO ECO RESORT de Pirenópolis.

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