Dentre os vários elementos folclóricos que compõe a Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, pode-se dizer que um deles é, literalmente, o mais doce. As Verônicas, ou verconcas, como dizem as doceiras que fabricam o quitute, são na verdade alfenins, pequenos doces feitos de puro açúcar e que podem ser moldados na forma de flores, medalhas com o nome do Imperador do Divino, pombas e outros símbolos da festa.

Segundo a tradição, o doce, que lembra uma hóstia, deve ser distribuído durante o cortejo das virgens conduzidas pelo Imperador do Divino, o que ocorre no domingo do Divino, antepenúltimo dia dos festejos.

Com 75 anos de idade, dona Terezinha Arruda Camargo conhece a receita dos alfenins ou Verônicas desde os 8 anos e até hoje é uma das doceiras mais requisitadas em Pirenópolis para preparar o doce. “A primeira lembrança que tenho desse doce é aos 5 anos, quando ajudava uma tia minha a fazer. Mas aos 8 anos eu já sabia direitinho a receita”, conta Terezinha.

Devota fervorosa do Divino Espírito Santo, a doceira conta que essa tradição sempre esteve presente na sua família e o aprendizado foi passando de uma geração para outra. Hoje, além do período da Festa do Divino, Dona Terezinha diz que fabrica o doce, sob encomenda, para casamentos e batizados. Para quem quiser aprender a fazer o quitute, ela diz também que ensina a qualquer um sem problema algum. A doceira diz, inclusive, em tom de brincadeira que não quer levar a receita para cova. “Se a pessoa me procurar eu ensino tranquilamente. Se eu morrer alguém vai ter que fazer o doce no meu lugar. Aqui mesmo na vizinhança eu chamo a meninada toda para me ajudar. Inclusive, tenho uma neta de 10 anos que faz a receita direitinho”, diz.

Bom, se você ainda está sem tempo para vistar a Dona Terezinha em Pirenópolis e quiser tentar ai vai a receita do doce do Divino, o alfenim Verônica:

Ingredientes:

– 2 kg de açúcar cristal
– duas claras de ovos (ou uma clara por kg)
– 2 colheres de chá do caldo do limão (ou uma colher por kg)
– 2 litros de água

Preparo

Em um tacho de alumínio com dois litros de água coloque as claras dos ovos, as duas colheres de chá do suco de limão e misture. Depois leve ao fogo para ferver e formar o melado. Durante a fervura acrescenta-se um pouco de água fria para baixar o melado. Isso irá facilitar a retirada das impurezas (espuma), o que poderá ser feito com uma escumadeira.

Depois de limpo o melado fica no fogo para apurar e chegar ao ponto de bala ou “ponto de espelho”, como diz Dona Terezinha. Então essa espécie de goma que virou o melado é resfriada sobre uma superfície lisa e fria. Muitas receitas resfriam a goma dando um choque térmico com gelo para se chegar ao ponto de puxa. Na receita de Dona Terezinha ela deixa a goma descansar de um dia para outro. Depois essa puxa é batida com as mãos até ficar branca, quando então vai para uma grande mesa e é cortada em pequenos pedaços, que vão ser modelados com os símbolos do Divino (pomba, Nossa Senhora, coroa). Depois de modelados os doces são colocados em grandes tabuleiros que ficam ao sol para secar.
O rendimento é de 60 ou 70 Verônicas. Dependendo do tipo de figura que será moldada esse rendimento pode ser menor.

Por Anderson Costa

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