Vindos de diferentes partes do Brasil, escritores chegam à Pirenópolis para aproveitar o clima bucólico do local e compor suas obras. Conheça histórias de alguns profissionais independentes que vivem na cidade neste dia do escritor (25)

A cidade de Pirenópolis reúne características como natureza abundante, arquitetura colonial e muita história para contar. Juntos, esses itens formam o terreno ideal para escritores se inspirarem. Por isso a cidade tem se tornado um refúgio para os amantes das letras nos últimos anos, além de receber eventos que contribuem para a disseminação e produção da literatura local. A última, por exemplo, foi a feira E-cêntrica, realizada em junho e voltada para a literatura e publicações independentes. Outra atração importante de Pirenópolis é a Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri), que já reuniu grandes nomes da literatura nacional, como o cartunista Ziraldo e o escritor Luis Fernando Veríssimo.

Foi em busca desse cenário que o jornalista mineiro Adriano Fernandes, mais conhecido por Adriano Distraido, chegou em Pirenópolis após dar a volta ao mundo passando por 19 países em 321 dias montado em uma bicicleta. Ele iniciou a jornada em novembro de 2016, na Nova Zelândia, e voltou ao Brasil em 2017. Seus objetivos eram mudar de vida e sair da rotina de redação. “Eu não tinha roteiro, queria me encontrar e fazer minha autodescoberta”, lembra Distraido.

Essa jornada de 11 meses vai se tornar dois livros: um fotolivro e outro de memórias. Apesar de ainda não ter decidido o nome das obras, Adriano diz que não teve dúvidas sobre qual lugar escreveria os livros. “Queria sair da correria de Brasília e buscar algo mais calmo, que me desse a possibilidade de escrever com tranquilidade. Comecei a me envolver com os moradores da cidade e, por isso, estou aqui há mais de um ano”, destaca o escritor.

Já na parte de acabamento dos livros, Adriano faz planejamentos para lançar as publicações. “Não recomendo a ninguém fazer a viagem de bicicleta ao redor do mundo. Apenas indico para que as pessoas façam o que mais desejam. Minha ideia é fazer o lançamento percorrendo as cidades brasileiras de bicicleta, contando minha história e incentivando as pessoas a realizarem os seus sonhos”, disse o escritor que também atua na área artística e na assessoria de comunicação da Matutina 11, em Pirenópolis.

Pesquisa e escrita

Outra escritora que viu em Pirenópolis o lugar ideal para as suas produções é a doutoranda Morgana Poiesis. Natural de Vitória da Conquista, da Bahia, ela chegou em Goiânia como aluna do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Culturais da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde escreve a tese Epístolas Profanas: das poéticas às estéticas dos silêncios nos sertões infinitos.

Há dois anos, Morgana escolheu Pirenópolis como parte de um procedimento metodológico de sua pesquisa em que a busca pelo silêncio permitiu uma comunicação profunda e necessária para seus poemas. “Faz parte da poética do silêncio, em que o distanciamento, principalmente da minha terra, contribui para a comunicação com as cartas”, completa Morgana.

As produções de Morgana são em formato de cartas, que são enviadas não apenas para destinatários reais, mas também para entidades personificadas. “Hoje mesmo enviei uma carta para uma pessoa em Goiânia pelo correio, mas também envio para cidades, por exemplo. Além das que produzo e envio de maneira tradicional, também trabalho com o conceito de hipermídia, em que esses textos para entidades personificadas são disponibilizadas na internet, abertos para que todos possam ler”, destaca Poiesis.

Evento literário

Para incentivar o aumento de escritores em Pirenópolis, algumas iniciativas foram tomadas por moradores e frequentadores da cidade. Uma delas é a feira E-cêntrica, que no mês de junho reuniu publicações independentes de livros, oficinas, bate-papos, performances e exposições em diversos pontos do Centro Histórico da cidade, como o Cine-Pireneus e a Rua Matutina. “O objetivo dessa iniciativa era justamente fazer com que aqueles que tenham algo escrito, mas que está guardado na gaveta, sejam estimulados a publicar suas ideias e sentimentos”, destaca Larissa Mundim, uma das idealizadora do evento.

A feira foi uma parceria da Nega Lilu Editoria e Avoar Livros e busca a inovação do mercado editorial a partir da postura independente.

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