Uma simplicidade e um bom humor que cativam você quase que instantaneamente. É essa a sensação que se tem quando ouve-se, mesmo que por alguns minutos, a prosa tranquila do artista plástico Pérsio Forzani, de 85 anos, um dos ícones da arte e da cultura de Pirenópolis.

Nascido no dia 8 de fevereiro de 1931 com um grave problema físico que o impedia de andar, Pérsio começou a mostrar seu talento já aos 8 anos, quando usava carvão para fazer desenhos em frente a calçada de sua casa, onde ficava também a loja do pai, que era alfaiate. No chão retratava o que via nas ruas históricas de Pirenópolis, cavalos, carros de boi, as casas em estilo colonial.

Por anos, a família de Pércio lutou, sem sucesso, com tratamentos contra sua deficiência. Somente aos 19 anos, depois de vários procedimentos inadequados, é que os pais conseguiram com que ele fosse levado para São Paulo, onde passou por uma complicada cirurgia. Pércio conta que por 40 anos conseguiu andar, mas ha cerca de 10 anos uma queda no banheiro de casa fez com que ele voltasse à cadeira de rodas.

Mas as dificuldades da história de vida desse artista não aparecem de forma alguma em seus mais de 3.200 trabalhos, que predominantemente retratam a sua fé e a Pirenópolis colonial, com suas igrejas, ruas, becos e casarões pintados em suas telas a óleo em alto relevo.

Com apenas o terceiro ano do ensino primário, Pérsio é, portanto, autodidata. Segundo ele, naquela época as limitações físicas impediram com que ele desse seguimento aos estudos, mas felizmente não limitaram o seu grande talento.

Confira a seguir um bate-papo que a equipe do Portal Eu Amo Piri teve com essa figura lendária da cidade de Pirenópolis.

Eu Amo Piri – Quando e como surgiu a arte da pintura em sua vida?
Pérsio Forzani – Eu nasci com problema de paralisia infantil. Meu pai era alfaiate e eu vivia na calçada em frente a loja dele, com carvão pintando carro de boi, cavalo e tudo que via na rua. Eu acho que foi arte que me fez com eu nunca tivesse tristeza na minha vida.

Eu Amo Piri – As suas limitações físicas então nunca foram problema para você viver com alegria e desenvolver sua arte?
Pérsio Forzani – Não. Ainda criança e mesmo com o meu problema eu gostava muito de futebol e os meninos me colocavam no gol para tentar pegar a bola e eu virei o maior boleiro da época. Eu nunca quis ficar paralisado e aproveitava a vida, brincava muito ia pro rio atrás da minha casa.

Eu Amo Piri – O que é a arte para você?
Pérsio Forzani – A arte é minha vida é a materialização do que eu sinto . Sem a arte na minha vida eu estaria perdido.

Eu Amo Piri – Quais são os trabalhos que mais te marcaram em sua carreira. Aqueles que você considera inesquecíveis?
Pérsio Forzani – Eu fiz o retrato falado do Comendador Joaquim Alves de Oliveira que faleceu e não tinha deixado nenhuma fotografia. Fiz esse quadro com o cunhado dele me explicando a fisionomia dele. E pela inspiração eu fiz esse retrato que hoje é a única imagem que se tem do Comendador. Outro trabalho que me marcou muito foram os quadros da Via Sacra que estão na Igreja da Matriz Nossa Senhora do Rosário, foram 15 quadros tamanho 50 x 50 cm.

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