Que Pirenópolis é uma cidade apaixonante isso é fácil de perceber logo na primeira visita, mas há turistas que levam essa paixão tão a sério que de visitantes passam a ser moradores

No mês de janeiro, período de férias, a histórica Pirenópolis recebeu um enorme contingente de turistas. Pessoas que muito provavelmente apaixonaram-se pelas belezas da cidade e certamente voltarão para novas visitas. Mas há muitos turistas que levam essa paixão pela histórica cidade goiana muito a sério e simplesmente deixam de ser meros visitantes e se tornam moradores.

Esse, por exemplo, é o caso do casal Ricardo Lourenço e Christiane Boechat que trocaram a agitada capital federal pela encantadora e charmosa Pirenópolis. Ela era servidora pública comissionada e todos os dias lidava com a pesada rotina de uma cidade grande: trânsito, corre-corre, hora para cumprir e falta de tempo para descansar e curtir a vida. Ele batalhava duro com o ecoturismo em Brasília. A proposta era fazer a transferência da capital federal para a Chapada dos Veadeiros, mas o interesse pelo serviço no local, diz Ricardo, ainda é pouco representativo.

A mudança do casal retrata o resultado de uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp), baseada nos dados do Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo apurou que, entre 2000 e 2010, diminuiu a migração para regiões mais adensadas como a Sudeste. Neste intervalo, a migração caiu de 1,8 milhão para 575 mil pessoas. Já as migrações dentro dos Estados passou de 65% do fluxo total para 72,2%.

O desapego à residência nos grandes centros também aparece em uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). O instituto verificou que cidades com população entre 100 mil e 500 mil – as chamadas cidades médias – tiveram crescimento populacional, de 2000 a 2007, superior ao das demais cidades do País.

Em busca de melhoria na qualidade de vida, Ricardo e Christiane saíram há dez anos de uma cidade de quase 2,5 milhões de habitantes para uma de 20 mil. Trocaram o modernismo arquitetônico de Brasília pela paisagem colonial de Pirenópolis. Deixaram o centro político do poder para viver a simplicidade e as belezas culturais e naturais de uma cidade bucólica. “Tivemos o apoio da família na decisão. Acho que hoje em dia é o sonho de muita gente, trocar essa rotina cansativa de uma cidade grande por uma vida mais tranquila e assim fizemos. No início, ficamos receosos, mas hoje vejo que foi a melhor decisão que podíamos ter tomado”, diz Ricardo Lourenço.

A mudança aconteceu há dez anos. Atualmente, os dois são proprietários do Espaço Eco, um restaurante, que, além de uma excelente comida regional, oferece boa música aos visitantes. “A cidade é acolhedora e aqui conseguimos mudar nossa rotina e ter uma vida um pouco menos agitada”, reforça Ricardo Lourenço.

Ricardo conta que, antes de se mudar, visitava Pirenópolis com frequência e sempre sentia as boas energias do local. “Viemos passar um rèveillon na cidade e surgiu a ideia da mudança e de montar um negócio. A princípio até queria conciliar com a minha área de atuação em Brasília, que era o ecoturismo, mas percebemos que já havia profissionais demais nesse segmento. Aí aproveitamos a habilidade da Chris na cozinha e minha preferência musical, estilo pop/rock, e empenhamos no empreendimento que une a gastronomia e boa música, surgindo então, em 2009, o Espaço Eco”, explica.

Ricardo diz que não troca mais a sua atual rotina pela vida na cidade grande. “É um sossego, apesar de trabalharmos muito, principalmente nos finais de semana, mas não se compara à vida que tínhamos antes. A ideia é aposentar por aqui”, afirma.

De Goiânia para Pirenópolis

Os encantos da cidade seduziram a empresária Fernanda Rodrigues Lopes, 30 anos. Ela conheceu o município em 2008. Foi para conhecer o Centro Histórico e as famosas cachoeiras. A mudança aconteceu em 2015, quando ela, casada à época, adquiriu uma pousada.

A vontade de morar em Pirenópolis era tanta que no começo Fernanda se esforçava para conciliar o trabalho como bancária em Goiânia à atividade como proprietária da Pousada de Pirenópolis. “Estava pra ficar louca diante tanta correria”, lembra. De segunda a sexta ela ficava na capital e aos finais de semana voltava para Pirenópolis. “É uma cidade linda!, diz orgulhosa.

Com o tempo, ela deixou a atividade na capital para se dedicar exclusivamente à nova profissão em Pirenópolis. Mesmo com a família “contra” o desejo de residir em Pirenópolis, Fernanda adquiriu outro empreendimento, um restaurante, dois anos depois de se estabelecer na cidade.

Ela acredita que a atmosfera da cidade é que atrai as pessoas para lá. “Pirenópolis tem suas graças, suas belezas que atrai a todos com intensidade, a ponto de transformar turistas em moradores”, elogia.

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